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Papo na rede – Ziel Machado fala acerca do legado do bispo Robinson Cavalcanti

Programa Papo na rede, apresentado por Fernando Oliveira com apoio de Carlos Bregantim, através do site koinoniaonline.net – Este programa de 01 de março de 2012, teve como tema: O legado de um pastor mestre. Acerca da vida e pensamentos do bispo Robinson Cavalcanti.

Convidado para o programa, o historiador e pastor metodista Ziel Machado.

Além do legado de Robinson Cavalcanti, também falam sobre o tema Missão Integral,  Aliança Evangélica Brasileira e as acusações contra o bispo Robinson em relação as suas posições acerca do tema da homossexualidade.

Um até breve para o bispo Robinson Cavalcanti

Bispo Robinson Cavalcanti foi assassinado juntamente com sua esposa em 26 de fevereiro de 2012 em sua residência na cidade de Olinda em Pernambuco.

Em 2002 li pela primeira vez um livro dele, o relançamento feito pela Editora Ultimato de “Cristianismo e Política”. Entretanto fui ouvir ele pessoalmente apenas em 2007, (foto)  em São Paulo. De lá para cá estive presente em suas palestras/pregações pelo menos uma dezena de vezes, seja em Recife, Rio de Janeiro, São Paulo ou Campinas. Além de ouvi-lo, prazer em ler seus artigos e aprender.

Por duas vezes tive o privilégio de estar à mesa com ele e ouvir suas histórias. A primeira em 2010 em São Paulo, logo após sua pregação na IBAB, juntamente com Volney Faustini e os pastores Fabricio Cunha e Levi Araújo. Tivemos um jantar repleto de histórias trazidas pela memória do bispo e palavras de incentivo e sabedoria.

A última vez foi em Campinas no final de 2011 onde ele palestrou na FTL (Fraternidade Teológica Latino Americana) da qual foi um dos fundadores na década de 70. Fomos jantar com alguns pastores, entre eles Wilson Costa e João Leonel. Mais uma vez sua simplicidade e alegria estiveram presentes a mesa.

Nos últimos três anos esteve envolvido na gestação da recém criada Aliança Cristã Evangélica Brasileira. Participou de sua fundação no final de 2010 e era um de seus principais entusiastas. Tive o privilégio de estar envolvido com ele neste processo, achei graça quando me chamou de “ministro das comunicações” da Aliança Evangélica. O humor era algo que nunca lhe faltava.

Na terra deixou saudades. Porém para os que crêem na ressurreição do corpo, dizemos um até breve!

Lá se foi o Dom, quem tinha o DOM

Acima, uma foto que realizei do bispo Robinson em julho de 2010 na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, por ocasião da Consulta Nacional da Fraternidade Teológica Latino Americana.

Abaixo, belo poema em homenagem ao bispo, escrito pelo companheiro de caminhada Thiago Lima, o Barraka do blog Peregrino Caminho

Dom do simples mas não do medíocre.

Dom da palavra, do ensino, Dom de mestre.

Dom jovial, Dom subversivo, praticado nas frentes, Dom labutado.

Dom utópico, Dom da vida, da política, da esperança.

Dom servil, Dom humilde, discípulo.

Dom da amizade, Dom do papo, da conversa que faz parar o tempo.

Dom das letras, Dom dos ótimos textos, da filosofia pé no chão.

Dom irreverente, Dom resoluto, profético.

Daquele Dom patente, Dom constrangedor, brilhante.

Dom alegre, Dom camarada, da partilha.

Dom histórico, Dom notável.

Dom dele, Dom ele, nosso. Dom agora devolvido ao Pai.

Por sua memória Dom,

Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti [† 1944 – 2012]

A (Des)Unidade Protestante do Brasil

Foto realizada em Campinas na última reunião da Aliança Evangélica Brasileira nos dias 22 e 23 de agosto de 2011

Foto realizada em Campinas na última reunião da Aliança Evangélica Brasileira nos dias 22 e 23 de agosto de 2011

 Por Robinson Cavalcanti 

Nos últimos anos tenho colocado a minha (já escassa) reserva de idealismo apostando na criação da Aliança Cristã Evangélica do Brasil, como um órgão aglutinador e representativo do nosso, digamos, “mui plural”, universo protestante nacional. E tem sido uma mão de obra. Creio que foi muito mais fácil para Noé levar a bicharada para dentro da Arca. Haja desinteresse e haja desconfiança! Quem está fora não quer entrar, e, até, quem está dentro, quer sair… E lembrar que um dia tivemos uma história tão diferente! O espírito de respeito e cooperação entre os pioneiros, e no longo período do “consenso evangélico”; a unida reação a deliberação do Congresso de Edimburgo (1910) de excluir a América Latina como campo missionário; a unida participação no afirmativo Congresso do Panamá (1916); o unido trabalho da Comissão pela Escola Bíblica Dominical (produzindo material para várias denominações); o unido trabalho da Confederação Evangélica do Brasil (CEB); a unida participação nas Conferências Evangélicas Latinoamericanas (CELA’s); os ainda esforços unificados dos Congressos de Evangelização da América Latina (CLADEs). Parece que era algo profundo e duradouro, e, ao mesmo tempo, parece que nunca existiu.

O primeiro “baque” foi o ciclo de ditaduras militares repressivas em nosso continente, que levou ao fechamento de instituições interprotestantes, como a CEB, justamente pelo profetismo que era uma face da sua missão integral. No Brasil, foi um hiato de duas décadas entre o fechamento da CEB e a criação da Associação Evangélica Brasileira (AEvB), com uma descontinuidade de gerações e de propostas, depois da “amnésia compulsória” em relação ao seu passado de responsabilidade social a que as igrejas foram submetidas pelo Estado e por suas próprias cúpulas cooptadas pelo Estado. Após os Congressos Brasileiros (CBE’s) e Nordestinos (CBN’s) de Evangelização, a AEvB teve o seu valor, mas o modelo centralizado na figura do líder levou a um rápido declínio, acompanhando a crise do líder.

É claro que as polarizações entre o Fundamentalismo e o Liberalismo respingaram entre nós, apesar da nossa sólida maioria e hegemonia Evangélica (l), ou, durante a Guerra Fria, entre “direita” e “esquerda”, mas as Igrejas Históricas (de Migração + de Missão) passaram a ter a companhia, no mercado religioso, das, nem sempre cooperativas, igrejas pentecostais, e, depois, das nada parecidas e nada cooperativas, igrejas neo(pseudo)pentecostais. A velha e respeitável institucionalização protestante foi sendo substituída pelo estrelismo personalista dos caudilhos religiosos e seus clãs, com o coronelismo da cultura nacional sendo “revitalizado” pelos superstars da cultura importada. O caldo, rapidamente, entornou, e no lugar da cooperação e da busca pela unidade, acelerou-se o divisionismo, e baixou o espírito de “cada um por si e Deus por todos” (e satanás por alguns…).

Está difícil fazer essas estrelas se juntar, se sentar, dialogar, construir um processo coletivo, pois cada um está acostumado a impor a sua vontade em seu feudo, e humildade é um artigo cada vez mais escasso. Minha experiência como presidente da seccional de Pernambuco da Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil (OMEB) apenas reforçou a minha percepção de que os pastores formam uma classe dividida, concorrente, e pouco ética nos relacionamentos entre os seus egos inflados, movidos a holofotes. Os Conselhos de Pastores por esse Brasil a fora (malgrado o idealismo de alguns) tem-se transformado em comitês eleitorais para uma participação política corporativa e clientelista. Tem cidade com três Conselhos de Pastores, cada um alinhado com um partido político diferente.

Quando estive em um dos últimos grandes eventos promovidos pela AEvB, percebi, claramente, que havia animais demais para a Arca, que uns não queriam entrar na Arca, porque não se sentiam bem na convivência com outros bichos, e que havia animais que, para o bem geral de todos os bichos, não deveriam entrar na Arca.

Hoje é muito provável que não possamos mais construir uma Arca só, mas vamos terminar na pluralidade de uma flotilha, com diversas Arcas, barcos e solitárias jangadas.

Tenho um sonho mais modesto para a nascente Aliança Evangélica: que ela seja uma das Arcas, menor em tamanho, mas que termine por abrigar os setores sérios, éticos e sadios do protestantismo brasileiro. Algo até fácil de encontrar nas bases. Quanto às cúpulas…

Não podemos viver sem sonhos, e sem trabalhar para transformá-los em realidade!

Bispo Robinson Cavalcanti

Fortaleza (CE), 26 de agosto de 2011,

Anno Domini.

Líderes evangélicos discutem formação de uma rede nacional

Os participantes em oração pela igreja brasileira: Durvalina Barreto Bezerra do Betel Brasileiro intercedendo ao microfone

Dia 14 de dezembro de 2009 ocorreu na IBAB (Igreja Batista de Água Branca) um encontro de 90 líderes do protestantismo nacional representantes de entidades, organizações e instituições. O Intuito do encontro é a criação de uma aliança em formato de rede que agregue todos. A Reunião foi convocada pelos líderes Ariovaldo Ramos (Missão Integral), Bertil Ekstrong (WEA), Débora Fahur (RENAS), Fabrício Cunha (IBAB Jovem e Usina 21), José Libério (Toca do estudante), Luiz Mattos (ALCEB), Silas Tostes (AMTB), (Visão Mundial) e Welinton Pereira (Visão Mundial).

A Reunião teve início as 09:00hs e foi aberta por Valdir Steuernagel que agradeceu a todos que foram chamados e trouxe uma palavra de gratidão, em seguida passou a palavra para Ed René Kivitz que trouxe uma palavra reflexiva sobre o texto do evangelista Mateus 4.23 – Ed René discorreu sobre o fracasso dos modelos socialistas e capitalistas e que o mundo clama por algo e que o evangelho não propõe apenas um outro mundo possível mas um novo ser humano possível, disse que participa da reunião com sentimentos misturados e fez um alerta dizendo que sofre arrepios quando a palavra representatividade é utilizada no meio evangélico, pois buscam o reconhecimento da Rede Globo apenas, que ele crê que este encontro não quer isto, pois as figuras do Reino de Deus são de subversão e muitos perderam o caminho da fermentação e abraçaram o caminho da pretensão. Alertou que a rede deve procurar articular a igreja para o serviço e não para a representatividade, é uma rede que coloca a toalha na mão do povo de Deus, a rede não deve se articular para salvar o movimento evangélico, pois se ele esta morrendo, deixe que morra. Quem fará parte desta aliança? Pergunta Kivitz, ele próprio responde, quem esta servindo e quer servir! “O que deve nos trazer aqui é a multidão que agoniza e não o movimento evangélico” afirmou o pastor que finalizou reforçando “Que estejamos aqui com a motivação de criar uma rede de solidariedade e serviço e não de representatividade.”

Em seguida Valdir Steuernagel passou a palavra para o sociólogo Paul Freston que apresentou dados sobre o Brasil e os evangélicos. Trouxe um histórico dos movimentos que buscavam representar os evangélicos e tempos passados e com erros e acertos passados disse que “O modelo não pode ser o do personalismo de um líder carismático, que exige-se um esforço muito grande, pois para ter lastro e duração é preciso contar com pessoas capacitadas que se disponham a gastar tempo para dar densidade ao processo de maneira que a Aliança tenha organicidade.” Dentre suas palavras informou que ninguém controla a imagem pública, não temos controle sobre o que a mídia vai divulgar sobre nossa imagem articulação ou movimento. (O que Paul Freston disse na reunião sobre a mídia já pode ser constatado um mês depois do encontro em alguns blog`s franco-atiradores)

Logo após houve um momento de oração específica por 5 pontos: 1 – Oração pela unidade da Igreja; 2 – Oração pela liderança evangélica; 3 – Oração por uma Igreja comprometida com os valores do Reino de Deus;  4 – Pela Aliança que esta se formando e 5 – Pelos Seminários, Faculdades e Escolas e institutos de formação de obreiros existentes no Brasil

Em um segundo momento houve a apresentação de Débora Fahur da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social) que explicou como funciona o modelo de rede em contraste com o modelo clássico da pirâmide, pois a rede tem a característica importante da horizontalidade que é entendida como uma qualidade de relações que se dão fora do contexto dominação/subordinação que é o resultado e produto do acionamento simultâneo de alguns valores como: respeito a diferença e a diversidade, à autonomia, ao reconhecimento da interdependência, à co-responsabilidade e à colaboração, expressos em práticas de gestão da rede nos relacionamentos entre membros.

A proposta do modelo de formação e funcionamento em rede já existe, o que não foi decidido ainda na reunião é o nome da entidade, provisoriamente estão chamando de uma Aliança Evangélica, pois desde os tempos da extinta AEVB (Associação Evangélica Brasileira) os evangélicos de linha histórica não se reuniam para uma representação em conjunto.

O bispo anglicano Dom Robinson Cavalcanti que se deslocou do Recife para participar do encontro disse que (vídeo neste post) “A representatividade não é uma escolha; é uma consequência sociológica”, e brincou com os números onde diz que a noiva de Cristo se tornou um harém de tanta igreja existente. Jasiel Botelho presente na reunião não perdeu a oportunidade de realizar uma charge da constatação (reproduzida abaixo neste post)

Um dos organizadores do encontro, o pastor Fabrício Cunha em entrevista para este blog ao elaborarmos a matéria, quando questionado sobre a importância do evento disse que “A Associação, Alianção, Rede ou Confederação é um importante passo numa caminhada que já tem lastro, história e legitimidade por conta da antiga CEB (Confederação Evangélica Brasileira), que atuou de forma efetiva entre os anos 30 e 64, quando foi inviabilizada pela ditadura militar. Precisamos ocupar alguns espaços que reclamam maior presença cristã e pedem por representatividade, que pode ser feita de forma saudável ou não. Por isso nosso sentimento de pertença à história. Fazemos parte de uma caminhada e não queremos inaugurar nada que já não tenha existido e que não represente uma reação a uma demanda de nosso tempo, a de, enquanto evangélicos, trabalharmos para que as pessoas se pareçam mais com Cristo, as relações sejam mais baseadas no paradigma trinitário e a sociedade baseie seu modus operandi na agenda do Reino de Deus.”

Neste post vale relembrar a Confederação Evangélica citada por Fabrício que nos informou que A CEB foi inaugurada em 1930 com o papel de representar o segmento evangélico e formar um órgão cooperativo em vistas da construção de uma identidade evangélica nacional e de projetos que fossem comuns, acompanhando os passos na América Latina após o Congresso do panamá em 1916.  Era formada por secretarias, das quais se destacou a célebre Secretaria de Ação Social, liderada pelo pastor Erasmo Braga. Convocaram uma seqüência de encontros nos anos 50 e 60, dos quais se destacou a Conferência do Nordeste em 1962, com o tema “Cristo e processo revolucionário brasileiro”. Foi inviabilizada em 1964 pela ditadura militar e reaberta  em 1987 sem o mesmo intuito e motivação.

Uma das bases confessionais para o encontro foi o Pacto de Lausanne, declaração de fé da ALCEB e o código de ética da Aliança Evangélica Mundial, sobre os fatores que motivam a caminhada dos que participaram do encontro, são três:

1. A absoluta necessidade de responder ao chamado do Evangelho no contexto de significativos setores da igreja brasileira dos nossos dias e no nosso contexto.
2. A percepção comum e imperativa de que necessitamos uma espécie de aliança que seja agregadora, ágil e representativa e, ao mesmo tempo, possa existir com o mínimo de burocracia e custos.
3. A busca por uma aliança que congregue redes já existentes, no objetivo de que elas sejam a nossa voz e expresse a nossa realidade, tanto no Brasil de hoje como em relação aos processos de representatividade externa a que somos chamados nestes nossos tempos.

Vale ressaltar que a reunião não esta sendo formada em nome de uma pessoa ou igreja específica, pois diversas entidades participaram do encontro na forma de associações, faculdades, institutos e organizações como AMTB, APMB, Convenção Batista Nacional, ABUB, MPC, JV, FLAM, Seminário Teológico Servo Cristo, Visão Mundial, Igreja Episcopal Anglicana, Movimento Encontrão ligado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, Fórum jovem de Missão Integral, Revista Ultimato, W4 Editora, Rede Fale, RENASFTL – ContinentalCompassion, Seminário Betel Brasileiro, Missão AVANTE, Missões Quilombo, Desperta Débora, Toca do estudante, Instituto Anima.

A Mídia cristã se fez presente através de Klênia Fassoni da Revista Ultimato, Whaner Endo do Portal Cristianismo Criativo e entre diversos blogueiros este aqui que escreve este post.

A reunião que durou quase 5 horas finalizou com uma carta de princípios que diz que a aliança é uma “rede que visa ser expressão de unidade de cristãos evangélicos no Brasil e de ação, reflexão e posicionamento evangélico em questões éticas e de direitos humanos”. Silas Tostes foi o redator da carta que captou diversas sugestões dos pequenos grupos que se reuniram por cerca de uma hora para elaborar as indicações e debater os princípios que nortearam a futura aliança, a carta ainda é provisória. Segundo o facilitador da reunião, Valdir Steuernagel houve uma rica discussão em torno da proposta e que a próxima reunião ainda não será a de fundação pois reconhecem a necessidade de maior diálogo e formação de mais líderes em volta da proposta. O próximo encontro será realizado entre os meses de maio e julho de 2010 em local a ser definido ainda pelos organizadores.

Texto, fotos e vídeo Alex Fajardo

Luterano Valdir Steuernagel e o sociólogo Paul Freston

Paul Freston: “Funções públicas vão acontecer. As instâncias sociais querem saber o que os evangélicos estão fazendo e pensando. E não há interlocutor. Este vazio será certamente preenchido por alguém. Como fazer isto sem ingenuidade sociológica, mas sem perder o idealismo do Evangelho?”

Valdir Steuernagel , Fabricio Cunha, Robinson Cavalcanti e Key Yuasa observam palestra de Paul Freston

Key Yuasa (Curitiba, Igreja Holliness) orando pela unidade da Igreja

Key Yuasa de Curitiba da Igreja Holliness ora pela unidade da igreja brasileira

Fabricio Cunha que faz parte da nova geração de líderes da igreja brasileira explica os diversos nomes sugeridos para a futura aliança

Ricardo Agreste da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera em Campinas conversa com Valdir Steuernagel sobre pontos da Carta de Princípios da futura rede

O Bispo e o pastor: Robinson Cavalcanti e Ed René Kivitz dialogam sobre o movimento

Participantes se dividiram em grupo para propor pontos na Carta de princípios

Diretor nacional da Mocidade para Cristo (MPC) Marcelo Gualberto se deslocou de Belo Horizonte para o encontro

Pr. Cláudio Ely Dietrich Espíndola -representando a Convenção Batista Nacional também analisou a Carta de princípios

Ao centro da foto o pastor Rogério Quadra ligado ao Fórum Jovem de Missão Integral e obreiro do Instituto Papel de Menino, que desenvolve um trabalho junto aos menores infratores da Fundação Casa também esteve presente

Presbiterianos: Ricardo Barbosa de Souza pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto em Brasilia, conversa com Hilton Figueiredo da Fundação Grão de Mostarda e do Seminário Servo de Cristo

Exército da Salvação também esteve presente no encontro

Todo evento foi registrado pelo pastor José Libério da Toca do Estudante: futuramente material será disponibilizado em DVD

Silas Tostes presidente da Associação de Missões Transculturais Brasileiras é o responsável pela redação da Carta de prinípios

Chargista Jasiel Botelho esteve no evento representando os Jovens da Verdade e a FLAM

Modelo em rede substitui o modelo piramidal

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Prefácio (01) – Caio Fábio para Robinson Cavalcanti

robinson_cavalcanti8Início neste blog uma categoria chamada Prefácio, que terá como objetivo apresentar os prefácios escritos de alguns livros. Quando alguém escreve o prefácio de um livro, esta dizendo que corrobora, que aposta nas palavras do escritor em questão, que valida e autêntica as idéias difundidas no texto.

 

O 1º dessa categoria é o livro escrito por Dom Robinson Cavalcanti, é da Série Congresso Vinde, o livro é Igreja: Agência de Transformação Histórica, escrito em 1987 publicado pela Editora Sepal. A foto ao lado é de Robinson e retirei da contra-capa do livro.

 

Quem escreve o prefácio deste é Caio Fabio, que relata como conheceu Robinson Cavalcanti e de sua importância e contribuição para a igreja nacional. Segue o texto.

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Conheci pessoalmente o prof. Robinson em 1978, no Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, no Recife, panfletando o auditório com o folheto do MCDC – Movimento Cristão Democrático de Centro. Depois desse primeiro encontro tive a feliz oportunidade de estreitar laços com o Robinson através de um amigo comum o Rev. João Campos. Foi nessa ocasião que estivemos juntos várias vezes no programa de TV do João Campos, na TV Jornal do Comércio e na Educativa de Recife.

 

Também foram muitas as ocasiões que nos encontramos numa reunião de oração que há 3 vezes por semana na 1º igreja Batista daquela cidade. Saíamos dali e íamos tomar café com leite acompanhado de um delicioso queijo derretido num pequeno bar perto da Igreja. Era ótimo.

 

Mas foi em 1979 que meu relacionamento com o Robinson começou a amadurecer. Estivemos juntos, naquele ano, no Geração 79, como preletores dos grupos de quinhentos e em Lima, no Peru, como delegados do Brasil no CLADE – Congresso Latino Americano de Evangelização.

Quando voltamos do CLADE nos reunimos no Recife – Robinson, Valdir Steuernagel e eu – na casa do Robinson, para pensarmos e sonharmos com o CONE – Congresso Nacional de Evangelização.

O CONE virou CBE e aconteceu em Belo Horizonte em outubro de 1983. infelizmente o Robinson não pode participar. Obviamente que a vida e o ministério do Prof. Robinson tem perspectivas e projeções bem mais amplas do que essas que eu acabei de mencionar. Aliás, esse brevíssimo histórico é mais resultado de um certo saudosismo de minha parte do que qualquer possível significado mais profunda para terceiros.

 

Escrever sobre certas recordações particulares são caprichos a que se permite, eventualmente, todo editor. No entanto, devo dizer, à bem da realidade, que o ministério do Robinson tem sido um dos mais profícuos na Igreja brasileira. Foi ele quem “bateu o pé” durante anos – um tanto solitariamente – acerca da “Missão Integral da Igreja”. Foi ele também quem denunciou de maneira veemente a alienação da Igreja em relação ao “dado social concreto”. Foi ele também quem reclamou da igreja uma participação política no “conjunto das decisões sociais”. Foi ele também um dos primeiros a sugerir que a “Teologia da Libertação” não tinha que ser o caminho único daqueles que desejassem olhar para a realidade humana concreta com solidariedade e compaixão engajada.

 

Por tudo isso o Robinson foi, as vezes, chamado pela direita de esquerdista e pela esquerda de direitista. Foi também considerado progressista pelos conservadores e retrógrado pelos Liberais.

Foi por isso e por mais algumas coisas que passei a admirar profundamente o Robinson. Gosto das pessoas que não cabem em definições e estruturas fixas. Considero bastante toda gente que dá nó na cabeça dos rotuladores profissionais.

 

Durante esses anos o Robinson passou também por tempos difíceis. Mas Deus lhe deu graça.

No presente momento sinto-me feliz e honrado em poder oferecer à Igreja de Cristo no Brasil este texto do Prof. Robinson. Creio, realmente, que apesar de conciso e leve, a contribuição que este livro trará ao povo de Deus neste país, será imensa. Especialmente para aquelas pessoas que desejam rever conceitos e re-enfocar sua própria vida e ministério na perspectiva de existirem de modo contributivo, participativo e revolucionário.

 

Que Deus continue abençoando o Robinson, a Miriam e ao pequeno Dudu.

Que Deus abençoe a você!

 

Rev. Caio Fábio D’ Araújo Filho

(1987)