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Faixa de Gaza: foco da imprensa mundial

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Desde o dia 27 de dezembro quando se iniciou o ataque de Israel a Faixa de Gaza, estou acompanhando os eventos pela imprensa. O evento que já deixou cerca de 500 mortos em 8 dias de ataque, vem sendo foco do jornalismo mundial. Ontem Israel iniciou a invasão ao território por terra. Os Principais jornais do planeta tinham suas capas, fotos estampadas sobre o ataque (como o jornal The Washington Post acima). Tenho conversado com algumas pessoas que tentam primeiro entender o que se passa naquele pedaço de terra, e o motivo de tanto derramamento de sangue. Ouvimos falar em Faixa de Gaza no jornal nacional, em Palestinos, partidos Hamas e Fatah, Cisjordânia, etc. 

 

Conversando com algumas pessoas nessa última semana, alguns nem sabiam de que o ataque estava ocorrendo, outros diziam que essa região sempre foi assim. Poucas pessoas que encontrei que pelo menos estão interessadas em saber os motivos e conhecer o histórico desse processo de guerra.

 

Queria insistir com você leitor desse blog, que procure atentar mais para este ataque desproporcional que Israel esta realizando. Seja para entender a situação política do local, seja para orar por ambos os lados.

 

Na internet além dos principais veículos de comunicação, quero indicar dois sites: Uma visão religiosa e outro de uma cobertura jornalistica.

 

– Este primeiro é o site de Ricardo Gondim que vem apresentando em diversos artigos, sua angustia, indignação e solidariedade para com os massacrados. Uma opinião balizada e centrada de um ataque que tem seu pano de fundo religioso. Em um dos artigos Gondim diz.

 

“Se existe alguma lógica religiosa que legitima o que vem acontecendo na Faixa de Gaza, eu não quero ter nenhuma parte com ela.

Se existe um deus que está no controle do massacre palestino, eu não quero ele. Prometo lutar contra tal divindade.

Se existem pessoas que concordam com o direito de uma nação  poderosa arrasar com outra muito mais fraca, eu não quero a companhia destas pessoas.”

 

– O Blog Diário do Oriente Médio do jornalista Gustavo Chacra que esta em Israel realizando a cobertura para o jornal Estadão. Lendo seu blog podemos ter uma visão do cotidiano, muito bem narrado por ele do que esta ocorrendo na região, seja a interpretação e reação dos povos que vivem ali, seja pela explicação política e social. Ao visitar o blog uma dica são os comentários dos post’s, muitos respondidos pelo Gustavo Chacra que tira dúvidas politicas, e fala sobre a cultura e religião da região. Em um dos post’s escritos, ele reclama da restrição que Israel impõe para a imprensa mundial em relação a acompanhar de perto os acontecimentos em Gaza.

 

“Mas a maioria terá que ficar aqui, em Israel, sem ver as batalhas de perto. É mais ou menos como um jornalista esportivo assistindo a apenas metade do campo em uma partida de futebol. O problema é que todos os gols acontecem na outra metade. E o jornalista terá que escrever tudo pelas notícias que escuta no rádio.”

Crueza histórica

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Os americanos usam uma expressão tosca quando querem acabar com o lero-lero, “let´s cut the crap”. No português um pouco menos tosco seria alguma coisa como, “vamos parar com o papo furado”.

O Natal mal terminou, qualquer aura sentimentalóide esvaneceu, e o jogo bruto da história já se impõe. As notícias do dia 27 de dezembro mostram como será o novo ano. Israel bombardeou a miserável Faixa de Gaza, e mais de 120 estão mortos. Mães desesperadas procuram entre os escombros o que restou do corpo dos filhos – bombas não escolhem alvos, matam indiscriminadamente!

A complicada equação da geo-política palestina ainda contém o elemento religioso. E para minha vergonha, a tradição evangélica, da qual fiz parte, legitima o direito de expulsar, matar, dizimar os palestinos, baseando-se na posse da terra que Deus deu a Abraão há milênios. Mas diante da carnificina mundial, o que são 120 palestinos mortos? No mesmo dia, talvez o dobro morra em Darfur, Congo e Zimbábue.

A história sempre foi crua. Só no século XX, turcos trucidaram armênios; russos exterminaram milhões de russos; a Europa se afogou em sangue na I Guerra Mundial; os nazistas aperfeiçoaram técnicas de extermínio em massa; americanos jogaram duas bombas atômicas sobre a população do Japão; a Guerra Civil espanhola foi horrorosa; chineses impuseram o comunismo na base da força bruta; Vietnam, Camboja e Laos tiveram seus holocaustos; ditadores latino-americanos torturaram, assassinaram e mutilaram indiscriminadamente; em Ruanda, bastaram 45 dias para oitocentos mil serem dizimados com facão e machado.

Luzes natalinas, fogos de artifício no Réveillon e as apoteóticas aberturas olímpicas não passam de andrajos rotos, que tentam disfarçar a lepra da nossa História. Somos lobos ferozes. Criamos lógicas que legitimam a morte de inocentes – danos colaterais para o bem maior da humanidade? – invocamos deus para abençoar a nossa maldade. Escrevemos teologia para explicar a nossa sina. Mas somos piores que os chacais, predadores que espreitam mesmo quando não têm fome.

As bombas que caíram sobre Gaza me deixaram com o mesmo gosto amargo que o Tsunami há alguns anos. Aliás, let´s cut the crap, esse papo de ano novo é pura balela pra boi dormir.

Soli Deo Gloria.
Ricardo Gondim

(Duas horas depois, o número de mortos chegou a 205. Quatro horas depois, 220 mortos. No dia segiunte, mais de 300 mortos – 150 crianças.  A carnificina continua 36 horas depois, 350 mortos. Aguardemos as más notícias.)