Arquivo da tag: igreja

Pedagogia da Graça

Um amigo meu que freqüentou uma igreja histórica sesquicentenária por muitos anos de sua vida, presenciou atitudes austeras de pastores e presbíteros em reuniões onde sentenciavam jovens que engravidavam antes do casamento. Presbíteros do conselho já nem mais consultavam o manual de disciplina, pois decoradamente sabiam o artigo e parágrafo onde a ré se enquadrava. A punição era anunciada com certa alegria (em forma de piedade pervertida) para a igreja, pois a sã doutrina estava sendo cumprida a risca. Mais uma medalha era colocada no peito da ortodoxia, que seguia única vencedora nesta igreja. A adolescente arcava com os danos psicológicos de ser apontada na igreja como exemplo a não ser seguido, pois quebrara os mandamentos do sagrado e sua punição era além da suspensão dos “privilégios da ceia” era isolada por todos, como uma pessoa contagiosa, o patinho feio que poderia transmitir seus pecados para o restante do puro rebanho.

Este meu amigo acabou saindo desta denominação e esta agora em outra, com o nome idêntico, entretanto sobre tutela de outro Supremo Concílio. Entretanto um caso de gravidez de uma menina de 16 anos aconteceu nesta igreja dele. Apenas a mãe e a filha adolescente freqüentavam a igreja, e ambas foram conversar com o pastor, para contar o ocorrido. Qual o resultado? No culto dominical, o pastor chama a menina na frente e diz que tem algo muito importante a comunicar, que a adolescente esta grávida e que toda a igreja esta em festa e deve comemorar esta alegria com a garota. Foi feita uma oração para que a gravidez ocorra tudo bem e que todos deveriam se festejar com a menina, pois em breve um bebê estaria alegrando todos os membros presentes. O pastor abraçou a menina carinhosamente e disse que a igreja estaria dando todo apoio no que fosse preciso durante e depois da gravidez.

Alguns chamariam este fato de ortodoxia generosa, outros de apostasia e afrouxamento da doutrina. Gosto de chamar de simplesmente graça, na hora que a menina precisava de maior acolhimento, ela recebeu de Deus através do pastor e da igreja. Este, creio eu ser o verdadeiro caminho estreito a ser seguido, em detrimento do caminho largo e dogmático. A comunidade tem que ser inclusiva e não um gueto que exclui os que não seguem seus dogmas, regras e manuais.

Com essa atitude, uma voz do norte poderia questionar que esta se abrindo a porta para a libertinagem, pelo contrário, a pedagogia da graça corre por outros caminhos, pois isso tem feito que os jovens e adolescentes tragam suas dúvidas e questionamentos para a igreja, ou seja uma comunidade terapêutica esta sendo formada, sem querer forçar a natureza com medidas de imposição, a atitude educativa esta produzindo seus frutos. Ahh .. antes de finalizar esse texto, antes que alguém pergunte, é o pai da criança? Até onde estou sabendo, não está envolvido na igreja e nem na vida da adolescente,  o pastor disse que não precisa casar se não amar a pessoa. Como fiz Philip Yancey, a graça é como a água límpida, consegue descer aos locais menos acessíveis e leva vida, e vida em abundância.

By Alex Fajardo

Eu estou farto – Ariovaldo Ramos

Ótimo texto de Ariovaldo Ramos este abaixo, não apenas belas palavras, mas para quem o conhece de perto e o acompanha, sabe que é um vida de lutas dentro da Igreja Brasileira. O artigo todo é interessante, entretanto chamo a atenção quando ele explica sobre o uso da palavra esquerdista, o termo já não é mais utilizado. Pessoas não acompanham o ritmo e ainda classificam o mundo através da dicotomia comunistas e capitalistas. Esses dias li um artigo de alguém acusando o próprio Ari de comunista, esses termos já não cabem mais no vocabulário, estão atrasados, o único país do mundo que em pleno século XXI se encontra comunistas é na Coréia do Norte segundo o renomado professor de História Geoffrey Blainey. Enquanto pessoas não se atualizam e ficam utilizando termos em desuso (como comunistas, socialistas, esquerdistas) seus vocabulários estão tão atrasados quanto suas mentes, por isso continuam em batalhas quixotescas contra moinhos de ventos que só existem em suas mentes. Enquanto alguns puxam o freio de mão e só reclamam, tem muita gente realizando e construindo a história em parceria com Deus e tocando o barco.

Abaixo o texto do Ari publicado originalmente em seu blog.

———————————-

Acabei de ler uma asquerosa crítica à Senadora Marina Silva. Faltam dados, falta seriedade, falta responsabilidade!

A crítica foi publicada num site que se propõe ser arauto de mídia séria! Mas,  de fato, é porta-voz do que era chamado, no tempo em que as ideologias estavam na pauta, de extrema direita.

Parece que ainda há quem tenha saudade do tempo em que se torturava a quem quisesse, quando quisesse.

Gente para quem a palavra democracia não significa nada.

Recentemente, um artigo publicado nessa mídia me citou, acusando-me de esquerdista, pró-aborto e de pró-gayzismo. E já fui questionado quanto a isto.

Não sou pró-aborto, mas, também, não sou a favor desse estado de coisas, onde a mulher é usada e abusada, onde a orientação sexual não chega aos pobres, onde o Estado se omite e faz vistas grossas ao estado de violência a qual o jovem e, principalmente, a moça está submetida, pela alienação das drogas e dos bailes funks, que sustentam o machismo que faz da mulher o mais abjeto objeto. E não sou contra a mulher vítima de estupro, e cuja gravidez lhe seja fatal, ser assistida na interrupção de sua gravidez.

Não sou pró-gayzismo, seja lá o que isso signifique, mas sou a favor dos direitos civis. Sou contra a tentativa do movimento gay de reescrever a Bíblia, mas, também, sou contra privar os homossexuais do usufruto do património de construção conjunta. Sou contra o impedimento de ajudar a um homossexual que o queira deixar de ser, como sou contra a hostilização de um ser humano porque ele ter se declarado homossexual.

A palavra esquerdista não faz mais sentido, nos dias correntes. Eu sou progressista! Sou a favor da reforma agrária, do acesso universal à educação, à moradia, à saúde, ao transporte urbano, à alimentação adequada. Sou a favor da distribuição de renda, da erradicação da pobreza, da sustentação do meioambiente e da democracia.

Sabe de uma coisa? Eu não sei quanto a você, mas eu estou farto dessa gente que se acha dona da verdade, e que, em nome do que acham ser a verdade, vivem a matar pessoas.

Farto dessa gente que se apossou de Deus, como se Deus fosse um objeto que se possa ter e manipular.

Essa gente que não considera como semelhante quem não concorda com eles!

Recentemente, também, uma série de e-mails anônimos foram disparados me caluniando, tentando me vender como um pecador dissimulado, para dizer o mínimo.

Estou farto desses covardes, sem caráter que, por detrás do anonimato, vivem a tentar destruir a vida dos outros.

Estou farto dos que dão ouvidos a eles, fazendo valer a calúnia e a difamação.

Estou farto dessa gente que anima suas rodas de amigos falando mal dos outros, zombando da desgraça alheia.

Farto dessa gente que vê fantasma em todo o lugar, que está sempre procurando alguém para atacar e para destruir.

Estou farto dessa gente que não sabe o que é debate intelectual, que toma tudo como pessoal, porque se vê como a medida para a verdade.

Farto dessa gente que em vez de pregar o Evangelho, fica checando se os outros o estão.

Checando se o outro crê “certo”.

Estou tão farto disto, tanto quanto, dos que estão invocando Deus para obter dinheiro para os seus negócios, travestidos de ministérios,de  igreja ou de denominação.

Dos que lutam pelo poder denominacional, transformando o Odre em algo mais importante do que o Vinho.

Também, me fartei dessa gente que quer destruir tudo, confundindo a igreja local com a deturpação da denominação, confundindo o povo com os seus maus líderes e que se tornam líderes tão maus quanto os que condenaram, e que saem pelo mundo atacando os pastores e as estruturas com a mesma fúria dos que as estão usando para benefício próprio.

Estou farto desses apóstolos que venderam que tinham de ser apóstolos para derrubar as potestades nas cidades, as mesmas que foram destronadas na Cruz de Cristo!

Estou farto dos que não usam o título de apóstolos, mas agem do mesmo jeito!

Estou farto dos liberais, que rasgam a Bíblia e saem a zombar de quem crê.

Estou farto desses ecuménicos que dizem celebrar a fé, de modo indistinto, mas não conseguem estender a mão para o irmão pentecostal.

Mas jamais me fartarei da Igreja:

A Igreja é a comunidade da fé! É a nossa casa!

A Igreja é lugar de perdão e de reconciliação.

O que é oferecido a todos nós, inclusive para os que agem como se não o precisassem, é a oportunidade de se arrepender.

A fé cristã não prega a impecabilidade, prega o arrependimento!

A fé cristã prega que o amor é demonstrado no perdão e no serviço!

A gente deve continuar a lutar pela Igreja!

Continuar a lutar pelo resgate da humanidade, e de toda a criação de Deus.

Nosso problema não está no termos pastores ou presbíteros, mas em sermos todos apascentadores.

Nosso problema não está em darmos dízimos e ofertas, mas em como ofertamos, e como usamos as nossas ofertas e dízimos.

A Igreja somos nós, e o único Ungido é Cristo Jesus.

Todo poder: seja religioso ou econômico ou de qualquer natureza, tem de ser controlado pela totalidade do povo.

Se você está farto como eu, não saia da Igreja, Igreja é invenção de Jesus.

“Jesus disse que onde 2 ou 3 estiverem reunidos em seu nome, ele lá estaria.” Mt 18.20

Jesus seria a 4ª pessoa naquela reunião.

Jesus seria a visita especial.

Ali Ele segredaria o que não pode dizer pessoalmente. Paulo disse que só com os demais irmãos é possível conhecer o amor de Cristo, em toda a sua dimensão. Ef 3.18

Alguns têm entendido que essa reunião é o fim de toda a formalização, a comprovação de que nunca precisamos de formalização alguma.

Mas, o que é reunir-se em torno de Jesus?

Jesus instituiu como reunião em torno dele a reunião em torno da ceia do Senhor.

Jesus disse que  toda a vez que comêssemos do pão e bebêssemos do vinho, o anunciaríamos, até que  ele volte. 1 Co 11.26

É em torno da ceia  do Senhor que nos reunimos em nome do Senhor.

Isso é formalização: tem hora, tem maneira e tem lugar. E é seríssima, pois Paulo disse que, dependendo da forma como participamos da ceia, podemos sofrer consequências, inclusive morrer mais cedo. Logo, também tem liturgia. 1 Co 11.27-30

Então, reunir-se em nome de Jesus é reunir-se em torno da ceia.

Lá anunciamos o perdão com o que somos perdoados e com que perdoamos.

Lá anunciamos a ressurreição, o poder pelo qual vivemos.

Lá o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.

Lá é a reunião da Igreja!

Todas as reuniões só serão da igreja se o forem em torno da mesa, mesmo que a mesa não seja arrumada para aquele dia.

A mesa da ceia é a mesa da comunhão. Lá nasceu a Igreja e lá ela é mantida.

.

Por falta de utopia, o jovem se corrompe

Ambiente do evento personalizado sobre o tema

Ambiente do evento personalizado sobre o tema

Em setembro aconteceu uma série de encontros na IBAB organizado pela equipe de jovens cujo a temática foi utopia. O Encontro ocorreu aos nas noites de sábado.  Onde respectivamente falaram Fabricio Cunha, Ziel Machado e Ariovaldo Ramos.  Diferente da religião, a utopia cristã esta no horizonte, cada vez mais que eu me aproximo dela, mais ela se afasta de mim.  Por mais que eu caminhe, eu nunca alcançarei, entretanto ela é meu norte, o meu caminhar.

Todas as mensagens foram transmitidas ao vivo via internet e podem ser assistidas neste link aqui.  Fotos do primeiro dia do encontro podem ser conferidas aqui.

"Utopia é algo comunitariamente bom para todo mundo " Fabricio Cunha

"Utopia é algo comunitariamente bom para todo mundo " Fabricio Cunha

Fabricio Cunha falou sobre a utopia cristã, o cristianismo como superação da religião. Iniciou sua fala explicando sociologicamente o conceito de utopia, ideologia e religião. Trabalhou alguns conceitos no quesito da solidariedade, para entendermos em que nível estamos no relacionamento com nosso próximo, citou o teólogo Ronald Sider “temos que Viver de forma simples, para que alguns simplesmente vivam”.  Afirmou a diferenciação de reputação e de caráter no Reino de Deus, pois reputação é aquilo que as pessoas pensam acerca de você, e caráter é o que você realmente é , por isso Jesus enfatizar sobre o quarto secreto, você e Deus, pois ali esta o apenas seu caráter diante de Deus, e é este caráter iluminado por Deus que tem que prevalecer para a expansão utópica do cristianismo.

Ziel Machado falou sobre uma geração relevante ser possível e expos sobre a fala de Jesus em  João 15 a videira verdadeira e nossa permanência no amor de Cristo, pois sem essa base, não é possível se ter uma geração relevante.

Ariovaldo Ramos trabalhou no tema que um mundo melhor é possível e para isso explanou seu conceito sobre a Ética da manutenção.  Trabalhou sobre as questões de nossa fé para entendermos se um mundo melhor é possível ou não.

Ziel Machado falou sobre uma geração relevante ser possível ou não.

Ziel Machado falou sobre uma geração relevante ser possível ou não.

Ariovaldo Ramos explanou seu conceito sobre a Ética da manutenção

Ariovaldo Ramos explanou seu conceito sobre a Ética da manutenção para um mundo melhor possível

Utopia Cristã:

Cada pessoa mais parecida com Cristo

Cada relação mais parecida com a trindade

Cada sociedade mais parecida com o Reino de Deus

Igreja: Projeto

O Estado supera as contradições” Hegel

“O Estado é palco das contradições” Marx

“A Utopia cristã supera as contradições, mas a igreja é o palco de todas elas.” Fabrício Cunha

Tema de cada dia na parede

Tema de cada dia na parede

Leia +

40 livros comentados pelo professor Gouvêa

ricardo-quadros-gouvea

Conheci o pastor / professor Ricardo Quadros Gouvêa em meados de 2005, nesta época participei com ele onde nos reuníamos aos domingos de manhã, um grupo de umas 15 ou 20 pessoas que se encontrava num Buffet, onde denominávamos Comunidade do Sumaré. Ouvíamos Ricardo explanar a bíblia, comentávamos, assistíamos vídeos, cantavamos, líamos poesias e trechos de livros. Nessa época por pouco mais de um ano, era raro o domingo que eu não estava lá, gostava de ouvir Ricardo, o encontro era sem a burocracia religiosa, sentávamos em roda e conversávamos, podíamos comentar ou perguntar durante a mensagem, era um bate-papo muito saudável que na época com certeza me fez crescer espiritualmente. Agradeço a Deus pela vida do professor Ricardo e por aquele tempo de ensino, descontração e alegria que ele partilhou conosco.

 

Escrevo tudo isso, para dizer que ele é articulista da revista Ultimato, e na última edição de nº 315, professor Ricardo publicou sua lista comentada do que ele considera ser os 40 livros que fizeram a cabeça do público evangélico nos últimos 40 anos. Na foto acima que fiz dele naquela época, foi um dos momentos que ele lia um trecho de um livro para nós nas reuniões, a foto é rara, pois foi a única vez que vi ele naqueles encontros de gravata rss…

 

Segue a lista escrita por ele abaixo:

 

Toda lista é pessoal, e esta não é uma exceção, mas busquei seguir aqui critérios objetivos: livros que foram campeões de vendagem, citados e debatidos, que influenciaram e continuam influenciando os evangélicos brasileiros, livros muito lidos com alto índice de rejeição, e também os que hoje estão operando uma mudança paradigmática na cultura evangélica contemporânea. Escolhi no máximo um livro por autor e procurei incluir alguma diversidade cultural e de gênero literário, bem como denominacional e teológica, sem que isso nos tirasse do projeto original: listar os quarenta livros que, nos últimos quarenta anos, fizeram a cabeça do povo evangélico brasileiro. Ordenei a lista por ordem de importância: dos livros mais influentes aos menos influentes dentre os quarenta selecionados, independentemente da data. Divirta-se concordando ou discordando, corrigindo meus equívocos e fazendo sua própria lista.

 

1. “Mananciais no Deserto” — Lettie Cowman [Betânia]

Não há outro livro mais amado pelos evangélicos brasileiros. Este campeão de vendagem é um livro de leituras devocionais diárias que conquistou nosso país. O livro é, de fato, bom, mas desconfio que a tradução deu uma mãozinha.

2. “Uma Igreja com Propósitos” — Rick Warren [Vida]
O maior “best-seller” evangélico de todos os tempos é uma catástrofe literária. É ainda difícil calcular o dano que esta obra equivocada causou e ainda irá causar, com sua filosofia de ministério inteiramente vendida ao “Zeitgeist”, propondo a homogeneização das igrejas e um pragmatismo de dar medo.

3. “A Quarta Dimensão” — David Paul Yonggi Cho [Vida]
Este livro fez mais pelo movimento pentecostal no Brasil do que qualquer televangelista. O testemunho bem escrito do pastor coreano que vive cercado de milagres causou “frisson” até mesmo nos grupos mais conservadores. Seu modo de ver a vida com Deus e o ministério marcaram as últimas décadas.

4. “A Agonia do Grande Planeta Terra” — Hall Lindsay [Mundo Cristão]
Calcado no pré-milenismo dispensacionalista de Scofield, este “best-seller” apocalíptico empolgou os profetas do fim do mundo no Brasil, com sua interpretação literalista imprudente e seu patriotismo norte-americano acrítico. Lindsay foi o arauto de três décadas das mais absurdas especulações escatológicas em nossas igrejas.

5. “O Ato Conjugal” — Tim e Beverly La Haye [Betânia]
Sexo é um assunto importante, e o povo ansiava por uma orientação em face da revolução sexual dos anos 60. Daí o sucesso de um livro bem escrito como este, didático e conservador, ao gosto da moral evangélica, mas sem ser inteiramente obtuso. Mesmo assim, muitos o chamaram de pornográfico. Nada mais injusto.

6. “Este Mundo Tenebroso” — Frank Peretti [Vida]
A ficção convence mais rápido. Revoluções acontecem inspiradas por romances, e não por tratados filosóficos. Peretti, com seu horror cristão, nos ensinou o significado da batalha espiritual nos anos 80, reencantou o submundo evangélico, inspirou pregadores e, o que não é nada ruim, motivou muitos adolescentes a ler obras de ficção bem melhores.

7. “A Morte da Razão” — Francis Schaeffer [ABU]
A intelectualidade evangélica adotou este livro como alicerce nos anos 70, para enfrentar o existencialismo, o movimento “hippie”, o marxismo e a contracultura em geral. O livro convencia que o cristianismo não era incompatível com o estudo e a reflexão. É um pena que Schaeffer estivesse tão equivocado em suas idéias centrais.

8. “Celebração da Disciplina” — Richard J. Foster [Vida]
Este clássico da espiritualidade cristã, escrito por um quacre, fez um tremendo sucesso no Brasil a partir dos anos 80. É excelente, mas será que todos que o compraram de fato o leram? Gostaria de perceber uma maior influência das idéias de Foster em nosso povo, mais oração, silêncio, calma, estudo, empenho, enfim, disciplina espiritual.

9. “De Dentro para Fora” — Larry Crabb [Betânia]
Os livros devocionais evangélicos de viés psicológico ou de auto-ajuda são os títulos que mais vendem. Dentre eles, alguns se destacam não só por serem campeões de vendagem, mas porque são os melhores do gênero. Crabb é o melhor autor do gênero e este é seu melhor livro, que impactou o nosso povo nos anos 90.

10. “Louvor que Liberta” — Merlin R. Carothers [Betânia]
Este pequeno e poderoso manifesto em forma de testemunho revolucionou, nos anos 70, o louvor e a adoração no Brasil. O bom capelão ensinou a todos nós a espiritualidade da adoração, o poder do louvor, impulsionando as guerras litúrgicas que marcariam a vida de nossas comunidades a partir de então.

11. “Vivendo sem Máscaras” — Charles Swindoll [Betânia]
Outro “best-seller” devocional dos anos 90, de viés psicológico e de auto-ajuda, com o vigor característico das obras de Swindoll, escritas a partir de suas pregações. Muitos se sentiram não apenas edificados, mas tocados e transformados.

12. “A Cruz e o Punhal” — David Wilkerson [Betânia]
Outro opúsculo dos anos 70 que, na forma de um testemunho pessoal, inspirou os jovens evangélicos a uma fé mais comprometida. Curiosamente, não levou as igrejas a um investimento em missões urbanas, idéia que permeia todo o livro. Talvez o Brasil evangélico dos anos 70 não estivesse pronto para missões urbanas.

13. “Crer é Também Pensar” — John Stott [ABU]
Stott é um ícone no Brasil, um nome respeitado pela sua erudição e sua notável produção literária, apesar de estar invariavelmente sob suspeita de heresia pelos mais neuróticos. O fato é que a qualidade de seus livros varia. Seu excelente “Ouça o Espírito, Ouça o Mundo” merece mais atenção. Já o opúsculo selecionado, tão conhecido desde os anos 70, não tem muito a dizer além do título.

14. “O Senhor do Impossível” — Lloyd John Ogilvie [Vida]
Outro devocional que emplacou no Brasil nos anos 80, não sem méritos. É o maior sucesso do autor, ainda que inferior a “Quando Deus Pensou em Você”, que o antecedeu. O livro estimula a fé e nos faz mais esperançosos, apesar da teologia rasa.

15. “A Família do Cristão” — Larry Christenson [Betânia]
Antes de Dobson e tantos outros, Christenson já era “best-seller” nos anos 70. Pioneiro entre os que se pretendem auxiliares da vida familiar cristã, ele foi estudado nos lares por grupos e células, em escolas dominicais etc. Sua eficácia é comprovada.

16. “O Jesus que Eu Nunca Conheci” — Philip Yancey [Vida]
Os anos 90 assistiram ao aparecimento de um dos mais argutos e estimulantes autores evangélicos de todos os tempos: o audaz Yancey, que começou a apontar para o paradigma emergente em livros como “Alma Sobrevivente”, “Descobrindo Deus nos Lugares mais Inesperados”, “Maravilhosa Graça”, “Rumores de Outro Mundo”, “Decepcionado com Deus” e tantos outros livros excelentes. E o mais conhecido e lido parece ser mesmo “O Jesus que Eu Nunca Conheci”.

17. “O Discípulo” — Juan Carlos Ortiz [Betânia]
Poucos livros foram tão impactantes nos anos 70 quanto esta obra que, excepcionalmente, não vinha do mundo anglo-saxão, mas da Argentina. Por isso mesmo, Ortiz tinha uma outra linguagem, um discurso que convencia os jovens brasileiros da seriedade e do valor de se tornar mais do que um mero freqüentador de igrejas, um genuíno discípulo de Cristo.

18. “Bom Dia, Espírito Santo” — Benny Hinn [Bompastor]
O neopentecostalismo brasileiro é, em grande parte, de inspiração norte-americana. Talvez o nome mais importante nesse processo seja o do “showman” evangélico Benny Hinn, que desde os anos 90 assombra os norte-americanos pela televisão com seus feitos espetaculares. Mesmo quem não o leu conhece sua influência no Brasil.

19. “O Refúgio Secreto” — Corrie Ten Boom [Betânia]
O testemunho desta nobre senhora holandesa encantou também o Brasil, onde seu livro foi um grande sucesso nos anos 70. Suas aventuras durante a Segunda Guerra Mundial, sob o pano de fundo de sua educação em um lar cristão, são comoventes e inspiradoras.

20. “A Autoridade do Crente” — Kenneth Hagin [Infinita]
Hagin foi um divisor de águas no mundo evangélico, pois desde sua influência os crentes “tomam posse”, “determinam”, “amarram” e “exigem”. Uma nova forma de falar se fez presente, o que gerou muitas novas piadas também.

21. “Entendes o que Lês?” — Fee e Stuart [Vida Nova]
Que bom que um livro sério como este foi tão lido e estudado no Brasil. Trata-se de um compêndio de hermenêutica bíblica sem complicações, em linguagem acessível, adotado por quase todos os seminários e estudado até mesmo nas EBD’s e pequenos grupos. Este livro fez muito pela educação bíblica dos evangélicos brasileiros.

22. “Culpa e Graça” — Paul Tournier [ABU]
Não há, com raras exceções, psicólogo cristão que não considere este livro um fundamento e um marco do pensamento cristão. Mas ele não se limita a isso, tendo tido considerável influência na teologia evangélica brasileira nos anos 90, preparando nosso povo para o paradigma emergente do século 21.

23. “Novos Líderes para Uma Nova Realidade” — Caio Fábio D’Araújo Filho [Vinde]
Este opúsculo foi, se não o mais lido, certamente o mais importante dos numerosos livrinhos do pastor Caio Fábio, fenômeno de popularidade no Brasil nos anos 80 e 90, pastor midiático, influente, contundente, imitado, adorado e odiado. Caio nos ensinou a ver as coisas de outro jeito, e seu legado não vai desaparecer.

24. “Vida Cristã Normal” (ou “Equilibrada”, na reedição) — Watchman Nee [Editora dos Clássicos]
O controverso evangelista e autor chinês Nee teve muita influência nos anos 70 e 80, com sua visão mística do que significa ser um cristão evangélico conservador. Este livro foi seu maior sucesso, um comentário de Romanos, ainda que seu livro mais objetivo e claro seja “A Liberação do Espírito”.

25. “É Proibido” — Ricardo Gondim [Mundo Cristão]
Gondim é um dos melhores e mais polêmicos autores evangélicos contemporâneos. Seus livros, como Eu Creio, Mas Tenho Dúvidas, O que os Evangélicos (Não) Falam, Orgulho de Ser Evangélico, são sempre interessantes. Nenhum, porém, foi tão influente e marcante como “É Proibido”, um verdadeiro libelo anti-legalista.

26. “Conselheiro Capaz” — Jay Adams [Fiel]
Adams era uma pessoa muito simpática. Sua escola de aconselhamento cristão é muito antipática. Diferentemente de Crabb, por exemplo, problemas emocionais têm origem fisiológica ou pecaminosa. Por isso, é preciso confrontar as pessoas e insistir na mudança do seu comportamento. Foi um sucesso nos anos 80. Haja behaviorismo!

27. “Quebrando Paradigmas” — Ed René Kivitz [Abba Press]
Este livro foi decisivo para que os evangélicos brasileiros começassem a enxergar a outra margem do rio, a margem pós-evangélica do paradigma emergente. Kivitz é um autor surpreendente e notável, de mente dinâmica e arejada, que propõe importantes rupturas e renovações, como em seu outro livro “Outra Espiritualidade”.

28. “O Amor Tem Que Ser Firme” — James Dobson [Mundo Cristão]
O conhecido “Dr. Dobson” é pensador e autor de grandes qualidades e grandes defeitos. Seus livros, como “Educando Crianças Geniosas”, ajudam famílias e promovem uma espécie de teologia aplicada que merece atenção. Há, porém, muito que não se deveria levar a sério, já que vai contra o que há de mais consagrado na psicologia moderna.

29. “Supercrentes” — Paulo Romeiro [Mundo Cristão]
O autor de “A Crise Evangélica” tem talento e tem algo a dizer. Seus textos, especialmente o famosos “Supercrentes”, têm apontado para os exageros e enganos de muitas posturas comuns no meio evangélico contemporâneo.

30. “Cristianismo e Política” — Robinson Cavalcanti [Ultimato]
Trata-se de um clássico. Este livro está nas origens de toda reflexão política evangélica. Robinson é importante por outras questões, como seus livros sobre sexualidade (“Uma Bênção Chamada Sexo”, “Sexualidade e Libertação”), mas sua contribuição permanente é o estímulo que deu à reflexão política evangélica.

31. “O Evangelho Maltrapilho” — Brennan Manning [Mundo Cristão]
Não há outro autor mais importante no meio evangélico nos últimos dez anos do que Brennan Manning. Seus livros devocionais, como “O Impostor que Vive em Mim”, “A Assinatura de Jesus”, “O Obstinado Amor de Deus”, estão transformando radicalmente a maneira como os evangélicos entendem a vida cristã. Eu fico muito grato.

32. “O Pastor Desnecessário” — Eugene Peterson [Mundo Cristão]
Peterson é muito estimado no meio evangélico brasileiro e um dos autores mais bem avaliados dos últimos tempos. Responsável por projetos como “The Message” (excelente paráfrase bíblica), tem nos galardoado com obras como “Corra com os Cavalos”, “A Oração que Deus Ouve”, “A Vocação Espiritual do Pastor”, “Transpondo Muralhas”, entre outros. Selecionei o que talvez seja o mais importante.

33. “Poder Através da Oração” — E. M. Bounds [Batista Regular]
Nos anos 70, quando não havia ainda bons livros sobre oração, como o de Richard Foster ou o de Eugene Peterson, os livros de Bounds sobre oração circulavam de mão em mão, trazendo avivamento às igrejas. Hoje Bounds está quase esquecido. Quase.

34. “Cristo é o Senhor” — Dionísio Pape [ABU]
No fim dos anos 60 e começo dos anos 70, o nome de Pape se destacava pela espiritualidade, profundidade e sucesso ministerial. Seu opúsculo “Cristo é o Senhor” levou muitos à consagração e ao ministério.

35. “O Caminho do Coração” — Ricardo Barbosa [Encontro]
Barbosa (junto com Osmar Ludovico, James Houston e outros) é responsável pelo retorno ao interesse pela mística cristã em nosso país. Seus livros nos ensinam uma outra atitude não somente em relação à vida, mas também em relação à teologia. Uma atitude contemplativa.

36. “O Novo Testamento Interpretado” — R. N. Champlin [Hagnos]
Não privilegiei obras teológicas e comentários bíblicos nesta lista porque tais livros, em geral, não vendem bem e sua influência é pequena. Uma exceção precisava ser feita em relação ao favorito das bibliotecas. O empenho exaustivo de Champlin precisava ser lembrado, pois ainda vende bem e é o comentário primordial dos evangélicos.

37. “Icabode” — Rubem Martins Amorese [Ultimato]
Este livro pode não ter sido tão lido quanto é citado, mas definiu um novo tipo de reflexão cristã no Brasil, que propõe diálogo com a cultura em outro nível que não o da evangelização, e sim o da discussão de valores e princípios que podem levar nossa sociedade para um patamar melhor ou pior. É uma boa influência.

38. “A Bíblia e o Futuro” — Anthony Hoekema [Cultura Cristã]
Este estudo do Apocalipse cresceu em importância no Brasil em uma época em que quase não havia obra que fizesse uma defesa do amilenismo, apesar dos pouco conhecidos esforços de Harald Schally. O livro provocou conversões em massa a partir dos anos 80, e a escatologia nunca mais foi a mesma no Brasil.

39. “Cristianismo Puro e Simples” — C. S. Lewis [Martins Fontes]
Também conhecido como “Mero Cristianismo”, a busca de Lewis pelo denominador comum da fé cristã impacta brasileiros desde os anos 70. Seleciono o livro simbolicamente, já que Lewis não poderia ficar de fora, seja por causa de “Os Quatro Amores”, “Milagres”, “Cartas do Inferno” ou “As Crônicas de Nárnia”.

40. “A Mensagem Secreta de Jesus” — Brian D. McLaren [Thomas Nelson]
Em 2007 o leitor evangélico brasileiro foi surpreendido por este livro do mesmo autor de “Uma Ortodoxia Generosa”. Fiquei admirado ao ver como todos passaram a conhecer e a comentar a obra de McLaren, que representa melhor do que ninguém o paradigma teológico evangélico emergente. Não dá pra não ler.

 

Igreja original

No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo.
Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia.
Depois, chegou à Roma e tornou-se uma instituição.
Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura.
E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio.

 

Richard Halverson

Extraído do Pavablog que por sua vez sugou do Rabiscando as paredes do sótão

 

igreja X Reino

“O povo da igreja cogita sobre como colocar gente na igreja; o povo do Reino pensa sobre como colocar a igreja no mundo. O povo da igreja se preocupa com o fato de que o mundo possa mudar a igreja; o povo do Reino vê a Igreja mudando o mundo.” Howard Snyder – extraído do A Procura.

Philip Yancey – Legenda em Português

Segue este vídeo do escritor Philip Yancey, onde ele relata do descobrimento do amor de Deus em sua vida, um Deus diferente do que lhe foi ensinado na igreja fundamentalista em que cresceu. Aconselho a você que não leu, que leia Philip Yancey, entre os mais de 10 livros publicados dele em língua portuguesa, recomendaria iniciar pelos livros Maravilhosa Graça, Alma Sobrevivente e Decepcionado com Deus.