Era uma vez um Deus que ninguém amava…

Era uma vez um Deus que ninguém amava…
Pudera, inalcançável era.
Só conseguia fazer com que o buscassem; desesperadamente.
Era um Todo Poderoso que ninguém imitava.
Só conseguia fazer com que o temessem.
Sublime e triste,
só conseguia que o cultuassem.
Até que gostava dos cultos, sacrifícios, respeito…
Mas tudo virava tédio. Solene tédio.

Como um Deus – pensava ele – pode não poder algo?
Sou capaz de amar, mas não me fazer amar…
Resolveu arriscar – vou me confessar, pessoalmente.
Seja o que Eu quiser!

Auto-transformou-se em alguém fragilmente amável
e veio brincar no quintal do mundo.
Agora corria, sorria e transpirava;
tocava, abraçava e fugia;
chorava, comia e bebia;
sofria, gritava e gemia…
Até que finalmente ele conseguiu que alguém dissesse:
Um Deus assim eu consigo amar…

Dizem que nunca mais foi o mesmo,
e que ainda é visto andando por aí…
Nas ruas, campos e praças a esmo,
mas já não o podem ver aonde vai.
Dizem até que foi sonho,
e jamais houve um Deus pra se amar.

Era uma vez um Deus que ninguém amava…

 

 

Escrito por Wilson Tonioli do blog Verticontes