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Nunca tive uma festa de aniversário

festa

 

Meu amigo Tony Campolo […] se encontrava em um local que tinha um fuso horário bem diferente e não conseguia dormir. Então, bem depois da meia-noite saiu perambulando até chegar a uma confeitaria. Algumas prostitutas locais também ali entraram no meio da madrugada, depois de suas atividades habituais. Lá ele não pôde evitar de ouvir uma conversa entre duas delas. Uma, chamada Agnes, disse à outra: “Sabe de uma coisa? Amanhã é meu aniversário. Vou fazer 39 anos. […] Nunca tive uma festa de aniversário em toda minha vida […].

 

Quando saíram, Tony teve uma idéia. Perguntou ao proprietário da confeitaria se Agnes ia lá todas as noites, e, quando ele disse que sim, convidou-o a participar de uma conspiração para organizar uma festa surpresa. Até a esposa do proprietário se envolveu. Juntos, arrumaram um bolo, velas de aniversário e decoração para que festejassem com Agnes, que para Tony não passava de uma completa estranha. Na noite seguinte, quando ela entrou, todos gritaram: “Surpresa! Surpresa!” – e Agnes não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Os fregueses da confeitaria cantaram e ela começou a chorar tanto que mal conseguiu soprar as velinhas. […] Em seguida, ela saiu carregando seu bolo como se fosse um tesouro.

Tony conduziu os convidados em um momento de oração por Agnes e o proprietário da loja disse que não fazia a menor idéia de que Tony fosse um pregador e pastor. E então perguntou a Tony de que tipo de igreja ele era. Tony respondeu que era de uma igreja em que se dão festas de aniversário para prostitutas às 3:30 horas da madrugada. O homem não podia acreditar. “Não, isso não é possível. Não existe uma igreja assim. Se existisse, eu me juntaria a ela. É, com certeza eu faria parte de uma igreja desse tipo”.

 

Extraído do Livro A Mensagem secreta de Jesus, de Brian McLaren

O livro e o programa: coincidência?

 

Quando estou em casa nas manhãs de sábados, acompanho os “programas religiosos/evangélicos” que são vinculados na Rede TV. O programa que mais me chamou a atenção hoje pela manhã foi o de Silas Malafaia que levou o senador Magno Malta; o procurador da república, Dr. Guilherme Schelb; e o presidente do Conselho de Pastores do Brasil, pastor Jabes de Alencar,  para discutir a tramitação do Projeto de Lei 122/06 que esta em pauta no Congresso Nacional. Segundo os debatedores, o que esta em jogo é a liberdade de expressão, liberdade religiosa.

 

Coincidência é que essa semana eu terminei de ler o livro “Ortodoxia Generosa” de Brian McLaren, e ao ver o programa, no mesmo instante pensei em alguns trechos do livro que fala sobre esse tipo de programação religiosa na TV. Segue abaixo trechos do capítulo “Por que sou encarnacional?”, páginas 272 e 273.

 

“Um fator determinante na ciência da difusão religiosa bem sucedida através dos meios de comunicação é o medo. Assim ouvintes/telespectadores são informados sobre enormes conspirações de esquerda para “destruir a família” ou “impedir a liberdade religiosa”. A eles então é pedido que ajudem na luta contra “a agenda homossexual” ou “o humanismo secular”, ou “a pós-modernidade”, ou “o terrorismo” ou algum outro bicho-papão verdadeiro ou imaginário – por meio do envio de suas contribuições dedutíveis de imposto de renda e pelas quais receberão um prêmio.”

 

“Quantas horas de difusão religiosa nos meios de comunicação são necessários para produzir tanto medo assim?”

 

“Eu sei que esses comunicadores são gente boa. Sei que nada disso é intencional. É uma coisa do sistema. Mas mesmo assim, quando a fornalha ardente da religião lança faíscas de temor no coração das pessoas, um fogo perigoso pode sair de controle, e muita gente pode se machucar”

 

“Jesus não quis criar um grupo fechado que baniria outros para fora de seu círculo; Jesus quis criar um grupo de boas-vindas, que buscasse e recebesse a todos. Um grupo que não viesse para conquistar, nem para atormentar, nem para subjugar, nem para erradicar outros grupos, mas para salvá-los, redimi-los, respeitá-los, amá-los, ampará-los e abraçá-los. Ou em outras palavras, Jesus ameaçava as pessoas com inclusão; se elas fossem excluídas, seria porque recusaram aceitar a sua aceitação. Se as pessoas rejeitassem a sua aceitação, ele não se insurgia contra elas, mas se submeteria à humilhação, aos maltratos, até mesmo a crucificação por elas.”

Generosa Ortodoxia, último exemplar !!

 

Terminei no feriado de quinta-feira de ler o livro O Obstinado amor de Deus do Brennan Manning. Como eu sou obstinado por livros, e não tinha nenhum para ler, tinha que ir atrás de outro e como emendei o feriado, na sexta acordei com a idéia de adquirir  Ortodoxia Generosa de Brian Mclaren, como nunca tinha lido nada dele, resolvi começar por esse, pois além do título parecer interessante, vários motivos me levaram a escolher esse, inclusive uma indicação do Paulo Brabo no Bacia das almas.

 

Pois bem, levantei cedo (nem tão cedo 08:30h) para cumprir minha missão, pegaria o trem de Perus até a Barra Funda, de lá pegaria o metro até a praça da Sé e iria visitar a Meca dos evangélicos, a rua Conde de Sarzedas. Onde mais eu poderia encontrar este livro a não ser ali? Engano meu !! Loja após loja, entrei em praticamente todas as livrarias, galerias, procurando pelo livro.

 

Imagine que existem lojas de todos os tipos, com o mais variado mundo da literatura evangélica, mas ninguém conhecia ou tinha ouvido falar do tal livro Ortodoxia Generosa, ou do Brian Mclaren. O que chegou mais perto queria que eu levasse o livro Ortodoxia do Chesterton pois disse que era sobre o mesmo assunto pois o título era quase igual.Quanta frustração!! Mas esse do Chesterton eu já li esse ano. Quando perguntei pela Editora Palavra, apenas dois disseram que conheciam, e um disse que estava em falta mais já tinha feito a encomenda porem estava aguardando ainda.

 

No final de minha caminhada nesta rua cheguei a conclusão que Brian Mclaren não fosse evangélico, (aliás o livro fala disso né)pois não encontrei na tal rua dos evangélicos, mas é obvio !! Quanta inocência minha. O movimento da igreja emergente foi expulso da rua dos evangélico, ou melhor, essa idéia ainda nem chegou lá. Não derrotado segui para o lado da igreja da Sé, onde existe uma rua próximo de livraria católicas, pensei que eles me salvariam desta vez. Ledo engano, apenas na Vozes o vendedor disse que tinha no catálogo, mas não conseguiu encontrar no estoque.

 

Isso já era quase meio-dia, quase fracassado, andei rumo ao viaduto Jacareí e desconsolado, subi a pé a rua da Consolação até a avenida Paulista, saberia que tinha que encontrar o livro em uma das maiores livrarias da cidade, a livraria Cultura dentro do Conjunto Nacional na Paulista. Eu poderia passar o dia todo lá dentro, dá até raiva entrar naquela livraria de tão gigante e aconchegante. Como sou teimoso, não perguntei para a vendedora, fui direto a prateleira de religião e cristianismo e comecei minha busca. Até o livro Paul Anderson, Conspiração Bonsai ( que eu penei pra encontar também na época, tive que ir na editora para comprar) eu encontrei lá na Cultura, mas não estava encontrando nada do Brian. Perguntei a vendedora que fez uma pesquisa no computador e disse que tinha apenas um exemplar na loja, ela procurou e achou. Meu sorriso foi indisfarçável. R$ 39,00 pelo último exemplar do livro naquela livraria gigante. Enfim, essa foi minha saga para adquirir Ortodoxia Generosa, já comecei ler ontem mesmo e deixo aqui um trecho da introdução do livro escrito na página 28.

 

“ .. tenho percebido que minha mais profunda paixão não é pelo povo da igreja: sempre foi por aqueles que estão fora dela. Quero dar a essas pessoas as boas-vindas, ajuda-las a se tornarem partes de nossa vida e missão. Entretanto tenho me sentido como uma motorista de ambulância levando pessoas feridas ao hospital no qual há uma epidemia se espalhando entre os pacientes, médicos e enfermeiras. Você tenta ajudar o hospital a controlar a epidemia para que possam voltar a ajudar novamente as pessoas a se curarem.”

 

Esta é apenas a introdução, que me convida a desligar o micro e ir ler os próximos capítulos com os títulos: Por que sou evangélico, Por que sou pós-protestante, Por que sou bíblico, Por que sou liberal/conservador, Por que sou fundamentalista/calvinista, Por que sou metodista, Por que sou católico, Por que sou verde, Por que sou depressivo-mas-esperançoso, Por que sou emergente, Por que sou não-acabado.