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Bate-papo com Regina Fernandes Sanches – Método Teologia da Missão Integral

Com iniciativa da autora em parceria com o núcleo Campinas da Fraternidade Teológica Latino Americana, gravamos um bate-papo na livraria Via Literária acerca de seu livro e a metodologia da Teologia da Missão Integral.

Leia mais: 

* CLADE V – Costa Rica 

* Missão Integral: Um convite a reflexão - por Ricardo Quadros Gouvêa 

* Lançamento no Mackenzie do livro O que eles estão falando da Igreja

CLADE V – Costa Rica

Costa Rica - CLADE VTive o privilégio de estar na cidade de San José, capital da Costa Rica para participar do CLADE V – Congresso Latino Americano de Evangelização, convocado e organizado pela Fraternidade Teológica Latino-Americana.  A delegação Brasileira esteve presente composta por 49 pessoas de diversas igrejas: Batista, Luterana, Quadrangular, Metodista, Presbiteriana, Congregacional e Assembleia de Deus, de todos, os presbiterianos eram em maior número, 21 no total.

Foto: Lissânder Dias

Parte da delegação Brasileira em CLADE V. Foto: Lissânder Dias da revista Ultimato.

Estive como membro da FTL e jornalista enviado pela revista Cristianismo Hoje. Realizei uma reportagem e uma entrevista com a Ruth Padilla, secretária geral da Fraternidade Teológica Latino Americana. Abaixo a algumas fotos de nossa passagem por lá e o link para a leitura da reportagem e da entrevista que realizei.

Foto: Alex Fajardo

A noite de abertura foi denominada de Para Recordar. Um bate-papo entre os fundadores da FTL e seus mais antigos membros. Participaram relembrando os CLADE’s anteriores Mervin Breneman, Pedro Arana, Juan Stam, René Padilla, Sidney Rooy, Samuel Escobar e o brasileiro Valdir Steuernagel.

Carlinhos Veiga foi um dos brasileiros que compôs a parte artística musical no CLADE

Carlinhos Veiga foi um dos brasileiros que compôs a parte artística musical no CLADE V

Apresentação da FTL setor Brasil  no CLADE V em Costa Rica. Na plataforma Robinson Jacintho , Clemir Fernandes Silva e Yokimi Yuaça

Apresentação da FTL setor Brasil no CLADE V em Costa Rica. Na plataforma Robinson Jacintho , Clemir Fernandes Silva e Yokimi Yuaça

Abaixo o texto publicado na Revista Cristianismo Hoje e o link para a entrevista que realizei com a Ruth Padilla. 

Entrevista com Ruth Padilla

Entrevista com Ruth Padilla para a revista Cristianismo Hoje

CLADE V reúne 800 participantes em Costa Rica

A quinta edição do Congresso Latino Americano de Evangelização ocorreu na América Central com participação de 50 brasileiros.

                No momento em que esta edição da Cristianismo Hoje é fechada, esta ocorrendo o CLADE V – Congresso Latino Americano de Evangelização, convocado e organizado pela Fraternidade Teológica Latino-Americana. Entre os dias 9 e 13 de julho na cidade de San José, capital da Costa Rica. Este Congresso é o quinto a se realizar no intuito de pensar uma teologia e missão no contexto latino americano. Os outros congressos ocorreram na Colômbia, Bogotá, 1969; no Peru, Lima, 1979; e os dois últimos em Quito, capital do Equador nos anos de 1992 e 2000.

O Tema do encontro foi Sigamos a Jesus no seu Reino de Vida. Guia-nos, Santo Espírito! O V Congresso Latino-Americano de Evangelização se propôs a ser um processo de reflexão teológica e celebração da missão de Deus no contexto latino-americano. Foi um momento de comunhão entre os cerca de 800 participantes de diversos países da América Latina. O brasileiro Jorge Henrique Barro da cidade de Londrina-PR, atual presidente da FTL continental, realizou a abertura do congresso, relembrando a história da Fraternidade e suas quatro décadas.

O Tema foi trabalhado em três eixos centrais: O primeiro eixo: Sigamos a Jesus tratou da necessidade de aprender a segui-lo, a encarnar um compromisso por meio de um discipulado integral; o segundo Reino de Vida procurou contrapor o contexto latino-americano carregado de expressões de morte, pois o Reino de Deus é reino de vida. Terceiro, Guia-nos, Santo Espírito! expressou por meio de súplica, sendo um clamor, uma confissão que foi realizada dentro de contexto contrapondo a expressão triunfalista de muitos evangélicos pelo crescimento numérico e ascensão ao poder, em detrimento de um discipulado inspirado pelo Espírito Santo de Deus.

A noite de abertura foi denominada de Para Recordar. Um bate-papo entre os fundadores da FTL e seus mais antigos membros. Participaram relembrando os CLADE’s anteriores Mervin Breneman, Pedro Arana, Juan Stam, René Padilla, Sidney Rooy, Samuel Escobar e Valdir Steuernagel.

Com cerca de 50 pessoas, a delegação brasileira participou no encontro, tendo em sua composição uma diversidade de irmãos das cinco regiões do país e de igrejas e confissões diferentes. Todos alinhados com a Missão Integral e sua difusão no Brasil. Valdir Steuernagel, coordenador da Aliança Evangélica Brasileira e um dos principais nomes da difusão da Missão Integral esteve na plataforma afirmando que CLADE V não se trata de um evento apenas. “CLADE não quer ser apenas um evento, mas uma plataforma de diálogo entre igrejas, ministérios, redes e movimentos cristãos na América Latina, Caribe e no mundo.” 

A pedagogia do evento se estruturou em 18 oficinas temáticas e grupos espalhados por diversas mesas para reflexão teológica em conjunto. Diversos desafios foram apresentados e questões a serem trabalhadas nestes próximos anos. Os principais temas discutidos nas oficinas foram os jovens como protagonistas de uma transformação da sociedade por meio dos valores do reino de Deus. Questão indígena e de imigrantes latinos para países europeus e para os EUA também estiveram na agenda do debate. Sexualidade, economia, pobreza, educação, sustentabilidade e alternativas missionárias para o contexto urbano foram temas debatidos nas oficinas espalhadas pelo local do Congresso.

Apenas o tempo dirá se a semente lançada no CLADE V germinará abundantemente com muitos frutos ou será lembrado apenas como um evento na agenda teológica latino americana. Porém ao que tudo indica, teremos reverberação e articulações pelos países afora. Aguardemos.

Seminário Nazareno de Las Américas. Local onde uma parte dos brasileiros ficaram hospedados.

Seminário Nazareno de Las Américas. Local onde uma parte dos brasileiros ficaram hospedados para o CLADE V.

Consulta Nacional da FTL em Belo Horizonte elege nova diretoria

Cerca de 100 pessoas estiveram participando da Consulta

Ocorreu entre os dias 07 e 09 de julho, no acampamento da Mocidade para Cristo nos arredores de Belo Horizonte, a Consulta Nacional da Fraternidade Teológica Latino Americana, Setor Brasil (FTL-B).  Por ocasião da proximidade do 5º Congresso Latino Americano de Evangelização que ocorrerá na Costa Rica no mês de julho, a Consulta Nacional da FTL teve como tema, “Seguir a Jesus vivendo o Reino de Deus a partir do contexto brasileiro”.

Com cerca de 100 participantes de diversas denominações e estados brasileiros, a Consulta contou com diversos palestrantes, gente de longa caminhada na FTL como Ariovaldo Ramos (SP), Julio Zabatiero (ES), Ricardo Barbosa (DF) e Jorge Henrique Barro (PR) entre pessoas de uma nova geração membros da FTL como Any Ribeiro (SP) e Lucy Luz (BA). Palestras acerca do meio ambiente também aconteceram, para conscientização e mobilização de uma Teologia da Missão Integral, a questão da sustentabilidade não poderia ficar de fora em plena época de acontecimento da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida popularmente como Rio+20 e o evento paralelo, Cúpula dos Povos. As palestras neste âmbito foram realizadas por Marcelo Morandi e João Tinôco Moreira Neto. O primeiro, residente em Campinas e pesquisador da EMBRAPA; o segundo, residente em Belo Horizonte, atualmente é pastor, mas por muitos anos foi professor de agronomia na Universidade Federal de Viçosa, MG. Nos dias do encontro, entre devocionais e palestras, houve a parte musical que foi conduzida por Carlinhos Veiga (DF), Roberto Diamanso (SP), Carol Gualberto (MG) e músicos convidados.

Julio Zabatiero, um dos fundadores da FTL- setor Brasil, palestrou no primeiro dia do encontro: “Temos que ter novas teologias para nossos dias, Missão Integral tem que ser mais do que o estudo missiológico da igreja”

Ricardo Barbosa, pastor presbiteriano, realizou um devocional para todos os presentes

Dois momentos importantes da Consulta marcaram os desdobramentos da reflexão em torno da missão integral do povo de Deus, à luz do Evangelho de Jesus Cristo. Um painel trouxe testemunhos da prática de missão integral em diversos contextos brasileiros. Gleydice, da ACEV, do sertão paraibano, contou sobre o serviço que prestam aos sertanejos com perfuração de poços e agricultura familiar em pleno sertão nordestino. Leandro Silva explicou sobre a mobilização de mais de 50 igrejas evangélicas, na região de Felipe Camarão, na capital potiguar, que propiciou um movimento em prol de uma cultura de paz na cidade, embalados pelo Evangelho de Jesus. Rafael Vaillant compartilhou sobre a atuação da igreja onde é pastor, em Guarapari, cidade do Espírito Santo, que tem influenciado o cenário político da cidade e contribuído para a mudança concreta da vida de algumas pessoas em situação de risco. O encerramento os testemunhos se deu com Lucy Luz, que integra o núcleo da FTL em Salvador (BA), ela é Assistente Social e esta envolvida com o movimento Bola na Rede, criado por Renas, o movimento tem o intuito divulgar o enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes no turismo, com foco nos eventos esportivos como Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016. Entretanto o movimento realiza diversas ações de prevenção que foram compartilhadas por Lucy Esse painel foi moderado pelo Luiz Felipe, do núcleo de BH.

Ariovaldo Ramos palestrou no segundo dia da Consulta

Outro momento não menos importante foi o das comunicações sobre reflexões teológicas desenvolvidas por membros da FTL de diferentes núcleos. Os GTs foram coordenados por Harley Abrantes, também professor universitário em Petrolina, PE.

Como é próprio da FTL, a Consulta transcorreu em clima fraterno, mesmo em meio ao diálogo teológico e intensa troca de ideias. Esse clima ficou expresso na celebração da Ceia do Senhor no final do evento, que contou ainda com um momento de chamado ao compromisso com a missão do reino de vida de Jesus Cristo, em meio ao contexto que manifesta morte. Nesse contexto em que vivemos no seguimento a Jesus, por ora experimentamos sabores amargos, pelas dificuldades que enfrentamos; por ora, o doce da graça de Deus e da comunhão e apoio dos irmãos. Isso foi lembrado em um belo momento de compartilhamento que antecedeu à celebração da Ceia, com oferecimento aos presentes e quisessem participar, de pedaços de limão e de doce de leite.

Momento de oração em dupla

Momento de oração em dupla

Juntamente com a Consulta, houve a eleição da nova Diretoria para o triênio 2012/2015. Carlinhos Veiga, jornalista, músico e pastor presbiteriano, esteve à frente da FTL-Brasil desde 2009, tendo como Secretário Executivo, Wilson Costa. A Diretoria deste período também contou com a participação de Clemir Fernandes e Odja Barros, como vice-presidentes. Harley Abrandes foi secretário e Paulo Nascimento, Tesoureiro. Estes últimos três anos foram de retomada das atividades de vários núcleos e o nascimento de outros. Entre eles São Paulo (SP), Campinas (SP), Salvador (BA), Vitória da Conquista (BA), Vitória (ES), Anápolis (GO), Macaé (RJ) e Aracaju (SE). Neste período também São Luís, MA, passou a contar oficialmente com um Núcleo de reflexão teológica da FTL-Brasil. Além desses núcleos seguem atuantes os núcleos de: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Londrina (PR), Maceió (AL), Rio de Janeiro (RJ). Outros núcleos estão sendo formados em Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Manaus (AM).

                A eleição ocorreu em clima amistoso, tendo sido eleito como presidente para o novo triênio Lyndon de Araújo Santos, pastor congregacional e doutor em História, atuando como professor na Universidade Federal do Maranhão. “Me sinto honrado e desafiado em assumir a presidência neste contexto de crescimento de núcleos que foi implantada pelo Carlinhos e Wilson. É importante agora consolidarmos estes núcleos. Me sinto grato a Deus pela oportunidade de servi-lo no Reino, estando na FTL ao lado de irmãos e irmãs que tem um compromisso de serviço”, enfatizou Lyndon, o presidente eleito. Carlinhos Veiga se manteve na diretoria como vice-presidente afirmando que enquanto se esteve na presidência, ficou muito contente pelo ingresso de muita gente nova se interessando na reflexão teológica em diversas cidades pelo país. Carlinhos Veiga afirmou que: “a transição é tranqüila, Lyndon tem um caminhada na FTL. Julgamos ele capacitado, e a Assembléia da FTL também se posicionou assim”.

De São Luis, capital do Maranhão, Lyndon de Araújo Santos, pastor Congregacional e doutor em História, foi eleito novo presidente da Fraternidade Teológica Latino Americana – setor Brasil para mandato do próximo triênio.

Nova diretoria eleita para o mandato 2012/2015

Vídeo bate-papo com integrantes da nova diretoria da FTL

Um dos pontos de avanço para a nova diretoria, segundo Lyndon é o crescimento em diálogo com algumas frentes: “Temos uma agenda grande pela frente. A FTL é um espaço único e singular. Temos que reforçar a agenda pastoral e avançar em algumas fronteiras, uma delas é a academia e os movimentos sociais”. A nova diretoria foi empossada no último dia do encontro, com palavras de encorajamento e oração realizada pelo pastor Carlos Queiroz, da cidade de Fortaleza, que coincidentemente, havia realizado a oração da posse da diretoria anterior, em 2009, em Fortaleza.

                A nova diretoria tem a função de escolher e convidar um novo Secretário Executivo, pois o Wilson Costa segue até o fim de julho. “Encerro minhas atividades como Secretário Executivo e o meu compromisso com a diretoria anterior após CLADE 5. No fim de julho quero passar o bastão para o novo secretário”, afirmou Wilson. Para esta nova gestão foi convidado Robinson de Souza, coordenador do núcleo de São Paulo e pastor presbiteriano. Aceitou a incumbência e o desafio de estar trabalhando junto à nova diretoria pelos próximos três anos.

A nova diretoria ficou composta pelos irmãos a seguir.

Presidente: Lyndon de Araújo Santos, Núcleo São Luis, Maranhão. Professor universitário e pastor congregacional.

1º Vice-Presidente: Carlos da Veiga Feitoza, Núcleo Brasília, DF. Pastor presbiteriano e músico.

2º Vice Presidente: Luciney Coutinho Luz, Núcleo Salvador, Bahia. Assistente social e membro da Igreja Batista da Graça, em Salvador.

Secretário: Luiz Felipe Xavier, Núcleo de Belo Horizonte, MG. Professor de Teologia e pastor batista em BH.

Tesoureiro: Wilson Costa dos Santos, Núcleo Campinas, SP. Pastor presbiteriano, administrador e consultor de empresas e organizações.

Conselho Fiscal: Ami Ribeiro de Amorim (Belo Horizonte), Luis Silvério (Londrina)  e Maria Jandira Cortes de Novais Lima (Rio de Janeiro), Suplente: Marco Aurélio Alves Vicente (Goiânia).

Núcleo da FTL de São Paulo realiza encontro na Assembléia Legislativa

No dia 26 de maio, ocorreu mais um encontro do núcleo da FTL São Paulo. O encontro desta vez ocorreu nas dependências da Assembléia Legislativa, no plenário D.Pedro I. O Tema do encontro foi: Enviados pelo Espírito: Inspirações e exemplos da e na missão. A Mesa foi composta pelo médico e deputado estadual Carlos Alberto Bezerra Junior e o teólogo Reinaldo Junior. Exemplos da Missão Integral no contexto de políticas públicas e debates acerca do tema relacionado a missão foram trazidos a tona pelos palestrantes. Ao final houve um período de perguntas e questionamentos pelos presentes. O amplo assunto, o clima acolhedor e as perguntas instigantes, foram responsáveis pelo avanço em mais de uma hora na finalização do encontro.

Na opinião deste blogueiro, o encontro também serviu para mostrar a visibilidade da FTL em receber/alcançar diversos públicos e temas em seus encontros. Para alguns que tacham os encontros da FTL como sendo encontros de esquerdismo político e que Missão Integral é uma ideologia de esquerda evangélica. A FTL recebe um deputado do PSDB que tem sua atuação pública alinhada com a Missão Integral, dando seu testemunho e avanços na política pública, algo assim soa como estranheza para os que acusam a FTL de estar ideologicamente ligada a esquerda ou extrema-esquerda. O Bem da verdade é que não existe ligação com com qualquer ideologia partidária. A FTL é um espaço onde idéias teológicas são refletidas e debatidas, sendo a maioria de seus membros e simpatizantes herdeiros do chamado “evangelicalismo protestante”.

Para finalizar o post, encerro com as palavras do teólogo Dr. Ricardo Q. Gouvêa que em uma palestra em 2010 na FTL-Campinas, definiu ideologia política partidária e Missão Integral, nos seguintes termos : “Não estamos falando de política partidária, sei que devemos discutir política e teoria política, mas esquerda e direita são termos ultrapassados, acredito que não se trata de tentar descobrir qual linha política, se são os verdes, se é a terceira via de Anthony Giddens, ou qual o pensamento político que mais se aproxima da visão cristã, não é isso ! O Cristão tem que ser critico de todas as posturas e pensamentos políticos, socialismo por exemplo, tem muita gente que pensa e que faz teologia, que pensa que ser cristão é combater a iniciativa e o liberalismo econômico e adotar o socialismo, na minha opinião isto é um equivoco. Porque o Cristianismo é muito mais radical que o socialismo, o socialismo é fichinha perto do Cristianismo. Devemos deixar de lado a idéia que existe um tipo de teoria política que é cristã ou mais cristã do que outras, acho que Hélder Câmara deu o exemplo quando ele falou assim, `eu sou cristão, e isso basta!`” 

Consulta Nacional da FTL em Belo Horizonte

Palavra sobre o CLade V

Em 2010, fotografei Jorge Henrique Barro que realizou uma palestra no encontro nacional da FTL Brasil. Um mergulho na história dos congressos de evangelização na América Latina, a saber: Clade I (1969), Clade II (1979), Clade III (1992) e Clade IV (2000).  Passados dois anos após sua palestra, Jorge Henrique Barro é o presidente da FTL Continental e escreveu acerca do Clade V que ocorrerá este ano em San José, capital da Costa Rica.

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Queridos irmãos e irmãs,

CLADE V está se aproximando!

Em breve teremos a rica oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente com espírito de gratidão e celebração. Convocados debaixo do lema “Sigamos a Jesus em seu Reino de vida. Guia-nos, Santo Espírito!”, iremos juntos buscar as direções de Deus viver de modo digno do Evangelho na América Latina e Caribe. Será essencialmente um congresso em perspectiva trinitária. O legado missionário que temos procede de Deus – missio Dei. Somos seguidores e seguidoras que foram e continuando sendo amados por Deus. É por causa do amor de Deus que nos comprometemos em missão. O modelo de Jesus continua a nossa frente e a capacitação e poder do Espírito estão sobre nós.

Que CLADE V seja uma assembleia solene e vibrante e que haja pentecoste em nosso meio. Quando o povo de Deus se encontra para reconsagrar-se em missão, creio que o Espírito de Deus sempre está disposto para nos ungir para o cumprimento da missão de Deus. Certamente existem muitas expectativas ao redor de CLADE V. Expectativa exige disponibilidade, pois esperar algo que não estamos dispostos a construir e nem participar é frustração na certa.

Se existe CLADE V é porque fazemos parte de um movimento que nos precede. Estamos rogando a Deus que todos os que participantes não venham esperando um evento, mas partícipes de um movimento – o movimento do amor de Deus em direção ao seu povo e ao mundo, particularmente na América Latina e Caribe

Como você bem sabe, muitos são os desafios para a realização de um congresso a nível internacional. Convido-te a colocar esses desafios diante de Deus. Ore por CLADE V!

Até breve!

Jorge Henrique Barro

Presidente do Comitê Diretivo da FTL

Núcleo FTL-SP retoma atividades em 2012

Ariovaldo Ramos entre outras ideias, levantou a questão do martírio da igreja. Ser testemunha da natureza de Cristo.

Depois de intensas atividades no ano de 2010 (algumas podem ser conferidas aqui, aqui, aqui e aqui) e de uma estagnada no ano de 2011, o núcleo de São Paulo da Fraternidade Teológica Latino Americana retomou suas atividades neste sábado, 31 de março, em grande estilo.

O Encontro ocorreu na IBAB, com o tema: O seguimento de Jesus na contemporaneidade brasileira: qual a chave hermenêutica? Os convidados para expor o tema na mesa foram o teólogo Ariovaldo Ramos e a teóloga  Any Ribeiro. A moderação ficou a cargo do também teólogo e pastor presbiteriano Robinson Jacintho.  Após explanação dos palestrantes, houve momento de perguntas realizadas pelo público presente, ao qual rendeu calorosos e fraternos debates.

O encontro também serviu para que a núcleo de São Paulo prepare-se um texto que fará parte do documento que diretoria nacional levará para o encontro do V Congresso Latino Americano de Evangelização (CLADE) que ocorrerá no mês de julho em San José, capital da Costa Rica.

O Núcleo retoma suas atividades com Any Ribeiro, Robinson Jacintho, Reinaldo Junior e Joabe Santos na coordenação local. Outros encontros este ano o núcleo pretende realizar, fique atento para participar, sempre estaremos divulgando neste blog.

Any Ribeiro expôs o drama de Pinheiro por meio da letra do rapper Emicida e levantou questionamento acerca da justiça e solidariedade no Reino de Deus

Núcleo São Paulo da FTL retorna suas atividades em 2012

Leia + sobre o núcleo

Teologia Latino Americana

Hoje me chegou pelo correio, duas raras aquisições. A primeira, uma edição do último Boletim Teológico impresso publicado pela Fraternidade Teológica Latino Americana (FTL) setor Brasil. Edição 29 do ano de 1997.

A segunda encomenda chegou de São Leopoldo (EST), o último exemplar que existia a venda do livro A Teologia Contemporânea na América Latina e no Caribe, publicado em 2008. Neste livro existe um texto de Orivaldo Pimentel Lopes Junior acerca da FTL e sua atuação no nordeste do Brasil.

 

FTL núcleo SP – #agenda

Núcleos FTL discutem Lausanne III

Lausanne III se encerrou na Cidade do Cabo, os núcleos FTL Campinas, Londrina e São Paulo promovem nos próximos dias debates sobre avaliação do congresso na África do Sul. Cerca de 90 brasileiros participaram da comitiva canarinho, muitos deles estarão nestes encontros falando sobre o que viram, ouviram e suas impressões.

Ricardo Gondim, que já foi presidente nacional da FTL Brasil na década de 90, disse que o congresso custou 16,5 milhões de dólares, diz ser um desperdício. Segundo Fabricio Cunha que participou do evento, contou que ouviu de um palestrante que os povos não alcançados no Brasil  “eram os surdos e a colônia japonesa e a melhor estratégia para evangelizá-los seria darmos um jeito de transmitirmos o Filme Jesus para eles.” de outro palestrante ouviu que “o amor une, mas a doutrina divide. É o preço da ortodoxia.”

CapeTown 2010 foi viável? Descubra você mesmo indo aos encontros.

Não fique de fora, igual cotovelo de caminhoneiro, participe dos encontros da FTL e se envolva, questione idéias e não pessoas, ouça os mais velhos e faça novos amigos. Eu particularmente estarei em Campinas e São Paulo ouvindo e fotografando. Depois repercutiremos aqui no blog.

Veja abaixo por ordem de data. Em Campinas acontece no dia 20 de novembro no Seminário Presbiteriano do Sul, dia 27 de novembro em Londrina na Faculdade Teológica Sul Americana e no dia 01 de dezembro em São Paulo no Seminário Servo de Cristo.

Se souber de mais encontros pelo Brasil, deixe recado nos comentários. Visite também o site nacional da FTL

A Teologia da arte – FTL núcleo SP

Gerson Borges falou acerca da expressão de um Deus criativo, a partir da Imago Dei

Na manhã do dia 05 de maio de 2010, ocorreu mais um encontro da Fraternidade Teológica Latino Americana, organizada pelo núcleo de São Paulo nas dependências do Seminário Servo de Cristo. Com o tema: A Teologia da arte, e a arte como instrumento pedagógico da teologia o encontro teve apoio do portal Cristianismo Criativo e da W4 editora.

Graduado em Letras com pós em Sociologia da Literatura, o cantor e compositor Gerson Borges, foi o primeiro a palestrar no encontro e tratou da arte a partir da expressão de um Deus criativo, a partir da Imago Dei.  Em seguida o Sociólogo Gedeon Alencar, atualmente doutorando em Ciências da Religião pela PUC de São Paulo, tratou do tema Religião & Arte sob uma perspectiva weberiana.  O Cantor e compositor Jorge Camargo, mestre em Ciências da Religião pelo Mackenzie, apresentou a última palestra sobre a arte cristã e a teologia contemporânea, trabalhou a história da música evangélica no Brasil e suas perspectivas futuras, afirmando que hoje existe muito arte sem poesia e uma teologia sem imaginação.

No momento das perguntas, Jorge Camargo foi a favor da democratização das músicas por cantores na internet, dizendo que não tem problemas quando encontra suas canções da net: “Quem sofre mais com isto é a indústria, quem faz arte independente, eu pretendo disponibilizar todo meu trabalho na internet, isso não interfere no cotidiano do trabalho. Se eu toco uma música nova aqui que tocou no coração de alguém, a pessoa quer o CD na hora, mesmo se depois ele baixar pela internet. Apesar de que estamos numa fase de transição destas coisas, esta tudo muito nebuloso esse mundo da internet e música. Mas tem um lado bastante bom”

O sociólogo Gedeon Alencar trouxe uma perspectiva weberiana sobre Religião & Arte

Jorge Camargo trabalhou a história da música evangélica brasileira e suas perspectivas futuras

Missão Integral: Um Convite à Reflexão

Este texto do doutor em Teologia e pastor presbiteriano Ricardo Quadros Gouvêa é um belo escrito para quem quer entender o que é e o que não é Missão Integral. O texto foi apresentado pela primeira vez na reunião da Fraternidade Teológica Latino Americana em fevereiro de 2010 em um encontro do núcleo São Paulo e uma segunda vez em maio de 2010 no núcleo Campinas da FTL. Em julho o texto foi disponibilizado publicamente no site da FTL, no qual este blog também publica abaixo. 

UPDATE: no final do ano de 2010 o texto foi incluído como um capítulo no livro O que eles estão estão falando da Igreja, organizado pelo próprio Gouvêa e publicado pela Fonte Editorial. O lançamento do livro aconteceu na Universidade Presbiteriana Mackenzie e pode ser conferido nesta reportagem neste blog. 

Missão Integral: Um Convite à Reflexão

I. Palavras Introdutórias

 
Muito já se escreveu sobre missão integral. Os livros recentemente lançados sobre o assunto, o de René Padilla e o de Ricardo Gondim, perfazem juntos uma boa síntese do que se entendeu teologicamente até hoje por missão integral e os problemas desse construto teórico, bem como de sua aplicabilidade na vida das igrejas evangélicas e dos movimentos evangélico e/ou evangelical.

Teremos em breve encontros em que debateremos estas obras com seus autores. Sendo assim, o que propomos para hoje? Proponho um exercício de reflexão teológica conjunta a partir de um texto que servirá meramente como ponto-de-partida, que não se pretende original ou inovador, mas sim esclarecedor.

Não sei, entretanto, se eu entendo bem o que quer dizer “missão integral” ou o que é a “teologia da missão integral”. Vejo discursos e práticas desalinhadas sob esse mesmo rótulo, e fico com a sensação de que há desinformação e dissonância cognitiva, o que pode e deve ser resolvido, além de uma salutar discordância e variação nuançada, o que é positivo, mas convida ao diálogo.

Este texto busca, portanto, ainda que modestamente, auxiliar na caminhada em direção a uma resposta acerca do significado do construto teórico teológico “missão integral”, tão importante na história da Fraternidade Teológica Latino-Americana.

Estou convencido que há dois estudos propedêuticos que se fazem necessários antes que exploremos o conceito de missão integral propriamente, tentando uma aproximação mais acurada de definição ou de identificação. Passo agora, portanto, a essas duas excursões breves em teologia filosófica ou teologia cultural ou ainda teologia apologética, como se dizia antigamente. Estas duas excursões lidam com as relações entre evangelho e cultura, primeiro e, depois, entre evangelho e política.

 
II. Evangelho, Cultura e Política: Duas Excursões Teóricas


1.      Evangelho e Cultura

Esta sempre foi uma relação de grande tensão na história do cristianismo. Hoje compreendemos que não poderia deixar de ser. Evangelho e cultura se distinguem, mas não é fácil distingui-los. O Evangelho não existe a não ser enculturado, isto é, contextualizado. Há quem queira separar o Evangelho da cultura, mas isso nunca existiu, e não pode ser feito. É da natureza do Evangelho ser cultural. O Evangelho já nasce inserido numa cultura, a cultura judaica, mas não se confunde com ela. Esta é a tensão infinitamente elástica que nos causa tantos transtornos: o Evangelho não é a cultura, nem mesmo a cultura judaica, mas só existe imiscuído e misturado com a cultura, de tal forma que não é possível extraí-lo e limpá-lo da cultura sem causar dano à natureza intrínseca do Evangelho e também à cultura. Se tentarmos distinguir cultura de Evangelho, fica um pouco de cultura, perde-se um pouco de Evangelho, e não se obtém um bom resultado.

A primeira transposição cultural sofrida pelo Evangelho foi para a cultura helenista dos tempos da chamada igreja primitiva. Essa transposição foi feita com razoável sucesso, mas não sem fortes traumas. É uma transposição que começa com Paulo, e é, portanto, sancionada pelo próprio Evangelho, pelas Escrituras Sagradas. Mas o Novo Testamento também já dá testemunho dos traumas e aflições causados pela transposição. O relativo sucesso do empreendimento deve nos fazer perceber as tremendas transformações sofridas pelo Evangelho no mundo helenista, e, em particular, a leitura de tendências neoplatônicas e semi-gnósticas que acabaram por preponderar no período patrístico, e acabaram por servir de base para a construção da teologia.

Uma segunda transposição acontece no período medieval, e posteriormente no período moderno, e sempre sofreu o Evangelho transformações, assim como transformou as culturas. Com o surgimento das nações-estado modernas, e com o crescimento econômico e populacional advindo das revoluções científica e industrial, surge um grande número de culturas ocidentais distintas promovendo novas tensões com o Evangelho herdado, e o trabalho missionário leva o Evangelho para culturas não-européias, que iriam absorver o evangelho misturado à cultura dos próprios missionários.

Os missionários das igrejas protestantes históricas trouxeram ao Brasil um Evangelho marcado pelos traços culturais de onde eles haviam partido. Foi só no século XX que a relação Evangelho e cultura passou a ser mais estudada e compreendida. Começou-se a perceber a enorme complexidade do processo enculturação do Evangelho, e se começou a falr, no fim do século XX, em contextualização.

O grande cientista da religião Helmut Richard Niebuhr, irmão do célebre teólogo Reinhold Niebuhr, foi um dos pioneiros nesse estudo, com o clássico Cristo e Cultura, onde distingue cinco diferentes possibilidades compreensão do relacionamento entre Evangelho e Cultura, que ele denomina: (i) Cristo contra a cultura; (ii) Cristo da Cultura; (iii) Cristo acima da cultura; (iv) Cristo e Cultura em Paradoxo; e (v) Cristo transformador da cultura. Niebuhr nos mostra como todos os cinco “tipos” (“tipos ideais”, como ele diz) foram praticados e implicitamente ensinados através dos tempos. No entanto, sugere que os primeiros dois são enganosos, distorções, o primeiro pela rejeição da cultura, e o segundo pela sua adoção não criteriosa ou sem qualificações necessárias. Eles representariam, grosso modo, os pólos fundamentalista e liberal. Os três outros tipos estariam, segundo o autor, mais de acordo com aquilo que o Novo Testamento propõe, o terceiro representando a posição tomista, o quarto a posição existencial-dialética, e o quinto a visão mais comum na teologia contemporânea.

Ao que me parece, a teologia da missão integral se propõe partidária, acima de tudo, da quinta possibilidade, de ver Cristo como transformador da cultura, sem negar a importância e o valor da cultura, como no caso principalmente do primeiro tipo niebuhriano, mas também do terceiro, típico do mundo evangélico conservador (que é em grande grau tomista sem saber disso). Trata-se, portanto, de trazer o Evangelho à cultura para redimi-la, não para alterá-la. Isso está de acordo com o que dissemos a princípio: o Evangelho só é verdadeiramente o Evangelho quando está enculturado, inserido na cultura e contextualizado, e só assim não é distorção.

Em suma, Cristo é mais, muito mais do que normalmente pensamos. Cristo significa uma vida melhor não só para o indivíduo, mas para a nação. O Evangelho propõe um mundo melhor, e nos convida a promover esta integração do Evangelho às culturas humanas em particular, e aos nossos projetos de civilização. Qualquer outra possibilidade é uma distorção alienante que retira do Evangelho seu escopo e seu poder transformador.

 
2.      Evangelho e Política

Há quem diga abertamente que o Evangelho nada tem a ver com política. Há quem deplore que se discuta o que se chama vulgarmente de “questões políticas” na igreja. Quando vemos o péssimo exemplo dos políticos evangélicos, até entendemos a razão desse tipo de ojeriza à política. Mas, em geral, é fruto de uma pregação evangélica distorcida que aliena as pessoas, fazendo-as pensar que as questões políticas e sociais nada têm a ver com espiritualidade.

A relação entre cristianismo e política não deve ser confundida com a relação entre igreja e estado. A separação entre igreja e estado foi uma preciosa conquista da democracia. Ela garante a liberdade de culto e garante que, na ausência de uma religião oficial do estado, nenhuma instituição religiosa será privilegiada pelas leis do país. Isso nada tem a ver, no entanto, com a relação entre cristianismo e política. O verdadeiro cristianismo, me parece, está envolvido nas questões sócio-políticas até o pescoço. Ou talvez deveríamos dizer: até a cabeça, que é Cristo.

Sabemos que a Bíblia e o Evangelho nos convidam a um sério engajamento com os problemas sociais, econômicos e políticos. O quietismo supostamente presente em Romanos 13 empalidece ante as inúmeras passagens bíblicas nos convidando à denúncia e ao combate das injustiças sociais e os desmandos políticos. Os estudos contemporâneos sobre os tempos de Jesus e sobre sua pessoa e ministério, como os de Marcus Borg, John Crossan, Richard Horsley, e N. T. Wright, entre outros, tornam patente o fundamental elemento sócio-político de sua missão.

Isso nos convida a entender o que é a ação política que tem lugar no contexto do Evangelho. Não estamos falando de política partidária, que visa a obtenção e manutenção do poder. A ação cristã na política partidária é, em geral, fisiológica e clientelista, em benefício de igrejas, inclusive, e é, em suma, má política e mau cristianismo. Estamos falando de cidadania e consciência política do cidadão que leva a envolver-se nas questões sócio-políticas que o afetam diretamente, e particularmente a formulação e promulgação de leis que o beneficiam ou não, enquanto cidadão.

Esse é o problema da ação social assistencialista, que é o que os evangélicos praticam, em geral, e que às vezes se confunde com Missão Integral e com consciência cidadã e sócio-política, quando não é. O assistencialismo não resolve os problemas sociais e políticos porque não atinge o cerne das questões, não desce às estruturas, não ameaça os poderosos. Pelo contrário, o assistencialismo se encaixa perfeitamente no modelo dos poderes opressores de uma sociedade. Por isso, as igrejas não são combatidas, porque não ameaçam esses poderes políticos e econômicos. Se o fizesse, seria perseguida.

O que seria, então, uma igreja engajada numa luta pela cidadania e pela conscientização sócio-política? Seria uma igreja que estimulasse os seus membros a protestar, por meios legítimos e não-violentos, como passeatas e abaixo-assinados, reivindicar ante as autoridades, e, por fim, exigir leis mais justas e ação governamental voltada para a melhoria das condições de vida dos menos favorecidos. Não é isso que acontece nas igrejas evangélicas.

Eu tendo a pensar que o que a FTL entende por Missão Integral implica em uma restauração da integralidade do Evangelho de Cristo, hoje obliterado nas igrejas evangélicas, por meio de uma compreensão da relação tensa e paradoxal entre Evangelho e Cultura que nos desafia com o poder de Cristo para a transformação da cultura, e por meio de uma compreensão da relação entre Evangelho e Política que nos faça perceber as dimensões políticas e sócio-econômicas da pregação de Cristo.
 

III. Via Negativa
 

Estamos prontos agora para iniciar nossa busca pelo sentido da expressão missão integral. Para fazermos esta busca juntos, proponho partirmos de uma ponderação invertida ou negativa. Em vez de nos perguntarmos “o que é missão integral”, perguntemo-nos antes “o que não é missão integral”. Faremos algumas sugestões que certamente auxiliarão na limpeza do terreno para uma edificação positiva mais adequada a seguir.

Então, comecemos. Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que:

 
1.      Missão integral não é “estratégia de evangelização”.

Eu peço perdão por iniciar esta parte com algo aparentemente tão banal, mas também tão fundamental. Vale dizer que eu mesmo já ouvi pessoas, em reuniões da FTL, manifestarem em suas falas, sem serem corrigidas, estar sob a sombra deste terrível equívoco. Não há equívoco mais contrário ao espírito da teologia da missão integral, em minha opinião, do que pensá-la como uma estratégia para a evangelização. É evidente que os adeptos da teologia de missão integral logo dirão que o próprio conceito de evangelização ganha novas cores a partir da adoção da noção de missão integral, que deixa de ser mera conquista de almas para Cristo, etc. etc. Porém, por outro lado, quem comete esse equívoco ainda não está, em geral, sob o impacto de uma nova compreensão do evangelho e da missão da igreja que a teologia de missão integral impõe. De qualquer forma, os evangélicos em geral tendem a cair ou recair em fórmulas gnósticas que separam e distinguem o material e o espiritual, o corpo e a alma, num espírito contrário ao do ensino neotestamentário. Vale a pena, portanto, lembrar e alertar que, acima de tudo, missão integral não é uma estratégia ou técnica de evangelização ou, o que seria ainda mais nefasto, de estufamento de igrejas.

 
2.      Missão integral não é “ministério de ação social”.

É possível que este seja o mais comum e mais perigoso engano no que se refere à noção de missão integral: confundi-la com o ministério de ação social de uma igreja local ou uma denominação. Não estamos dizendo que as igrejas não devam ter tal ministério. Muito pelo contrário. Ministérios eclesiásticos ou para-eclesiásticos de ação social podem ser um importante instrumento para a concretização de alguns aspectos do que chamamos de missão integral. Entretanto, esses ministérios não implicam que haja missão integral enquanto construto teórico teológico. Não se pode inferir da presença destas agências que haja missão integral, ou que elas trabalhem sob a égide da missão integral. E pode, por outro lado, haver missão integral sem que haja ministérios e agências de ação social, que são, no geral, de caráter meramente assistencialista, e não percebem a necessidade de instituir instrumentos políticos que possam gerar mudanças estruturais na vida sócio-cultural e político-econômica da sociedade. 
 

3.      Missão integral não é uma “teoria missiológica”.

Então, em um nível mais profundo, alguém poderia supor, ao perceber que este construto teórico afeta diretamente as práticas eclesiais, que se trata de um construto teórico de teologia pastoral, e, mais especificamente, de missiologia. A missão integral seria, portanto, uma compreensão específica de como a igreja faz missão, ou, numa redação muito melhor, como a igreja cumpre a sua missão. Seria, portanto, uma tese missiológica, mais ou menos nas seguintes linhas: a igreja cristã tem a missão de pregar o evangelho, mas esta pregação não se faz apenas com palavras, mas com atos de amor que manifestem o amor de Deus pelas pessoas através de nós, através das ações das comunidades cristãs. É evidente que tal compreensão da noção de missão integral está bem mais próxima do adequado que as concepções equivocadas descritas acima. Percebemos, todavia, que ela também tem problemas teóricos, enquanto definição conceitual da endiadys “missão integral”. Em primeiro lugar, esta compreensão pode sugerir que a missão integral é uma teoria missiológica entre outras, que uma igreja ou um cristão pode escolher ou não como sendo a sua missiologia. Tal concepção da endiadys como mera teoria missiológica, portanto, coloca em risco a percepção de sua necessidade, no sentido filosófico do termo, para a presença do evangelho. Em outras palavras, ameaça tornar a noção de missão integral algo extrínseco ao evangelho, e não intrínseco ou essencial no evangelho. E tal minimização da noção é algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar. Em segundo lugar, torná-la meramente uma teoria de teologia pastoral põe em risco a centralidade do conceito na constituição do evangelho, e essa marginalização do conceito é também algo que a teologia da missão integral nunca tolerou nem pode tolerar.
 

4.      Missão integral não é “diaconia”.

Antes de mais nada, vamos esclarecer que o termo “diaconia” não está sendo aqui empregado como sinônimo de ministério de ação social da igreja local, ou com a idéia de uma “junta diaconal” na igreja local, ou coisas semelhantes. O termo está aqui sendo empregado para discernir algo que parece ser essencial no ensino de Cristo, que é servir. Confundir missão integral com ministério de ação social é banal e totalmente equivocado. Confundir missão integral com diaconia é bastante desculpável, pois o que proponho aqui é uma filigrana, uma distinção muito sutil realmente, que já nos lança para o âmbito da teologia bíblica e sistemática, e nos aproxima de nosso ponto de chegada, que é a relação entre missão integral e o próprio evangelho de Cristo. Esclareça-se agora, e desde já, que o evangelho de Cristo não é apenas o perdão de nossos pecados pelo sangue derramado na cruz. É, antes, nossa reconciliação com Deus pela união mística com Cristo. É a presença de Cristo em nós, a presença do Espírito Santo que é o Espírito de Cristo, que determina nossa redenção, nossa justificação e nossa santificação. A presença de Cristo em nós implica necessariamente em discipulado, sob o senhorio de Cristo. Portanto, implica em diaconia, isto é, em serviço, assumir a forma de servo que o próprio Jesus Cristo assumiu. A diaconia é, portanto, aspecto essencial do seguimento de Cristo. Quem está em Cristo, serve a Deus e ao semelhante. Sem dúvida que a prática diaconal de cada cristão no seu seguimento de Cristo parece indicar uma percepção maior ou menor, mais ou menos consciente daquilo a teologia da missão integral sugere acerca da natureza do evangelho, mas não é uma marca inquestionável de que a noção de missão integral tenha sido assimilada ou que, em outras palavras, a missão integral tenha sido adotada. É bem possível que um cristão pense na diaconia como um aspecto da vida cristã que nada tem a ver com missão.
 

5.      Missão integral não é outro nome para a “teologia da libertação”.

Muitos podem pensar que a teologia da missão integral é uma versão evangélica da teologia da libertação, cujos principais nomes são majoritariamente católico-romanos. Há, de fato, mitos pontos-de-encontro. Porém, há também pontos divergentes, e isso desde os fundamentos. Enquanto a teologia da libertação tem sido descrita por muitos como uma leitura marxista da Bíblia, e as evidências apontam para a propriedade desta percepção acerca do referencial teórico fundamental da teologia da libertação, o mesmo não se pode dizer da teologia da missão integral, que se propõe, talvez um tanto ingenuamente, como uma teologia que é produzida apenas a partir da Bíblia, sem utilizar nenhum outro referencial teórico como chave hermenêutica. Seja como for, o importante pressuposto por detrás desta comparação é que a teologia da missão integral é uma teologia, assim como a teologia da libertação. O que significa dizer isso? Significa que a teologia da missão integral é uma interpretação geral do que é o cristianismo, do que significa ser um cristão, uma interpretação sobre o significado do próprio evangelho.


IV. Vórtice Elucidativo
 

Então, perguntemos agora, ainda que tentativamente, “o que é missão integral”? Para responder a essa pergunta, temos que aglutinar alguns importantes componentes da equação, e o faremos por meio de um progressivo afunilamento teórico.

 
1.      Missão integral é uma teologia bíblica do evangelho.

Já dissemos que missão integral é uma teologia. Isso é elucidador, mas fica a pergunta: que tipo de teologia? Parece ser uma teologia bíblica, isto é, uma tentativa de configurar esquematicamente a instrução bíblica a partir da própria Bíblia em vez de partir dos loci communes da chamada teologia dogmática ou sistemática. Há, porém, muitos tipos de teologia bíblica, com diferentes ênfases. Parece-me que a teologia da missão integral é uma teologia bíblica que centra toda a reflexão teológica na definição da natureza intrínseca do próprio evangelho, e quero propor, mais construtivamente agora, que ela o vê como o cumprimento da grande comissão de Cristo à luz do Mandato Sócio-Cultural do Gênesis.
 

2.      Missão integral é uma interpretação da Grande Comissão à luz do Mandato Sócio-Cultural.

O Mandato Sócio-Cultural surge logo nos primeiros versículos da Bíblia, compondo as primeiras ordenanças de Deus ao homem na Criação. Ler a Grande Comissão de Mateus 28 à luz do Mandato Cultural é vê-lo como resgatado diante da redenção em Cristo em face da queda. Em outras palavras, no esquema Criação-Queda-Redenção, o Mandato Cultural é recuperado na redenção em Cristo pela chamada Grande Comissão.

O Mandato sócio-cultural de Gênesis nos aponta para o projeto de Deus para a espécie humana. O projeto não está explicitamente descrito, mas implícito naquilo que a narrativa bíblica apresenta na forma de comando divino. Ele inclui: (i) apoio à família e à educação; (ii) apoio à pesquisa científica e tecnológica; (iii) promoção da nutrição alimentar e, por inferência, de todas as necessidades básicas para a sobrevivência e saúde de todos, sem exceção de ninguém; (iv) descanso e lazer para todos, e, por inferência, trabalho para todos.

Por meio da redenção em Cristo, a sua igreja se torna novamente capaz de fazer valer o mandato sócio-cultural. Isto é ler a grande comissão como retomada do projeto divino para a humanidade. Isso é, para mim, a principal base para a teologia da missão integral.
 

3.      Missão integral é a Missão da Igreja e a Teologia que serve à Igreja.

A missão da igreja é sua razão de existir. Ela existe para cumprir sua missão, sem a qual ela não tem sentido algum. Creio que a teologia da missão integral reconhece isso e propõe que é preciso compreender a missão da igreja em sua inteireza. Mais que isso, implica também que a teologia da igreja só faz sentido se feita à luz da missão da igreja, auxiliando-a no cumprimento da mesma. Se não é assim, é teologia que se impõe sobre a igreja, e que obriga a igreja a servi-la em vez de servir a igreja. É teologia que atrapalha a igreja no cumprimento de sua missão. Toda teologia que se preze, creio eu, deve ser feita a partir de dois motores: o estudo da Bíblia e a missão da igreja.

Alguns dizem que a missão da igreja é adorar a Deus. Paulo ensina, em Romanos 12, que o verdadeiro culto a Deus é oferecer-se em sacrifício vivo, o que implica em algo mais que a adoração e o louvor na compreensão popular dos conceitos. Alguns dizem, em contrapartida, que a missão da igreja é evangelizar o mundo. De fato, mas aqui cabe perguntar o que isso significa. Seria apenas levar os homens a se decidirem por Cristo? A se tornarem membros de igrejas evangélicas? Ou seria a difusão do Reino de Deus? Ou seria ainda mais, a infusão dos valores do reino na cultura e na sociedade?
 

4.      Missão integral é o próprio evangelho.

Missão integral é, talvez, outro nome que se pode dar ao próprio evangelho, como um cognome, ou um aposto. Como aposto, poderíamos dizer, por exemplo: “o evangelho de Cristo, isto é, a missão integral da igreja, deve ser o centro da pregação cristã”, e assim por diante.

Evangelho, como todos sabem, significa “as Boas Novas da salvação em Cristo”. Eu quero crer que é isso também que significa a missão integral. Se não fazemos essa identificação, talvez seja porque limitamos, por vício, o escopo do significado do Evangelho. Salvação em Cristo significa união mística com Cristo: Cristo em nós, operando nossa justificação e nossa santificação. Cristo em nós implica em uma transformação espiritual sendo operada; implica na imitação de Cristo; em outras palavras implica em discipulado. Na verdade, creio que é preciso afirmar que não há salvação sem a presença do Espírito de Cristo em nós, e, portanto, sem obediência, sem esvaziamento, sem tomarmos a forma de servo que Cristo tomou. Em suma, não há redenção em Cristo sem seguimento, sem discipulado, porque não há evangelho sem discipulado. Seguir a Cristo e servir a Cristo significa um engajamento naquilo que chamamos de missão integral.

Então, não há outro evangelho, a não ser este: a adoção e a participação na missão que só pode ser integral. Em hipótese alguma uma missão parcial ou fragmentária poderá ser chamada de evangelho. Não há missão parcial. E aqui está a grande falácia por detrás desta expressão, desta endiadys: missão integral, pois falar em missão integral pode fazer presumir que há outra missão cristã ou evangélica que seja também válida, e que nãos seja integral, quando na verdade só há uma missão em Cristo: aquela que inclui a integralidade daquilo que o Evangelho representa.

O problema é que isso coloca todos os adeptos da teologia da missão integral em franca e direta oposição à larga e vasta maioria das igrejas evangélicas e do mundo evangélico, que jamais compreendeu e jamais aceitou a teologia da missão integral, que certamente não entende a missão da igreja dessa forma, mas antes pregando e praticando aquilo que os adeptos da missão integral seriam obrigados a chamar de “missão parcial”.

Só a aceitaram os chamados “evangelicais”, um adjetivo que se usa, em oposição a “evangélico”, para designar um grupo de evangélicos de difícil localização. Uma palavra que é um anglicismo, tradução do inglês “evangelical” que, na verdade, quer dizer “evangélico”, e não “evangelical”. O adjetivo “evangelical” tende a cair no vazio. Quem são os evangelicais, além dos participantes da FTL?

Mas acontece que, se não há missão parcial, isso tem sérias conseqüências para quem advoga a missão integral. Assim como uma meia-verdade é, em geral, uma mentira inteira, também a noção de uma missão parcial é um equívoco. Missão parcial simplesmente não é a missão cristã, pelo contrário, é uma distorção perigosa da missão, uma distorção alienante, aviltante e opressora. Não é a verdadeira missão do corpo místico de Cristo, a Igreja Invisível, que é sempre missão integral, uma vez que essa é a única genuína missão neotestamentária. Uma missão distorcida não só não é missão de Cristo, mas presta desserviço a Cristo, pois é missão feita em nome de Cristo sem ser de Cristo. Isso a caracteriza, a partir de uma perspectiva neotestamentária, como missão do anticristo. Toda igreja que se diz cristã, mas rejeita, não por ignorância, mas conscientemente, a teologia da missão integral, está, ipso facto, sub judice, como candidata a igreja do anticristo.
 

V. Palavras Finais

Alguém poderá dizer, agora que desembarcamos no porto final desta caminhada teórica que compõe esta comunicação, que as conclusões a que chegamos são apenas óbvias. Diante desta observação crítica, tudo que tenho a dizer é que concordo inteiramente. Assim já dizia Caetano Veloso que seriam óbvias as palavras que o índio proferiria em um ponto eqüidistante entre atlântico e o pacífico. E que surpreenderiam por ser óbvias, pois o óbvio é bom, é claro e é verdadeiro. É precisamente da obviedade que carecemos, mas não da obviedade tautológica ou repetitiva, a platitude que não passa de um lugar comum. O que se pretendeu foi dizer o óbvio que esclarece, que desobnubila, que desobstaculiza, que ilumina e que tranqüiliza o coração. Não proponho, porém, sequer que este trabalho específico de limpar o terreno para futuras edificações esteja completo. Esclareço ainda além, portanto, que este texto pretendeu apenas iniciar uma reflexão que deve continuar em conjunto agora, num espírito fraterno e elucidativo.

Reunião inaugural do núcleo FTL – Campinas

Prof. Dr. Ricardo Gouvêa “o Cristianismo é muito mais radical que o socialismo, o socialismo é fichinha perto do Cristianismo.”

Na manhã de 24 de abril na cidade de Campinas, um grupo de cerca de 25 pessoas se reuniram para participar do início das atividades do núcleo da FTL – Fraternidade Teológica LatinoAmericana. A Reunião de inauguração do núcleo, aconteceu nas dependências do Seminário Presbiteriano do Sul, um dos seminários mais antigos no Brasil e o principal na formação de teólogos e pastores da presbiteriana.

O Prof. Dr. Ricardo Quadros Gouvêa foi o convidado para apresentar uma palestra sobre a Teologia da Missão Integral. O Prof. Dr. João Cesário Leonel Ferreira apresentou uma reação e em seguida os presentes fizeram perguntas, havendo ampla troca de idéias sobre o tema. O sociólogo Paul Freston também esteve na reunião. O organizador do encontro foi o secretário nacional da FTL, Wilson Costa.

Ricardo Gouvêa reforçou a idéia de sempre repensar a teologia que nunca pode ser engessada, em suas palavras “Teologia é construto teórico humano.  Tentativas humanas de capturar o sentido da revelação de Deus. Nos precisamos refazer constantemente teologia. A idéia de uma teologia perene, uma teologia que se estabelece definitivamente é uma idolatria. Porque é a perenizarão de algo humano, por isso precisamos estar sempre com um olho na bíblia e outro na missão, repensando a teologia. Precisamos mais de teologia, mas de um tipo diferente de teologia, uma teologia melhor, que é uma teologia transdisciplinar. Uma teologia que receba diferentes perspectivas de todas as ciências. A teologia tem um objeto de estudo que é Deus, e sua relação entre Deus e o homem. Não podemos ler a bíblia somente a partir das lentes doutrinárias, temos que ter novas e frescas leituras da bíblia, sem utilizar um único par de lentes para ler as escrituras, mas relativizar as lentes, para que o texto possa ser absolutizado, não podemos absolutizar as lentes”

Sobre política partidária e Missão Integral, Ricardo Gouvêa deixou claro que: “Não estamos falando de política partidária, sei que devemos discutir política e teoria política, mas esquerda e direita são termos ultrapassados, acredito que não se trata de tentar descobrir qual linha política, se são os verdes, se é a terceira via de Anthony Giddens, ou qual o pensamento político que mais se aproxima da visão cristã, não é isso ! O Cristão tem que ser critico de todas as posturas e pensamentos políticos, socialismo por exemplo, tem muita gente que pensa e que faz teologia, que pensa que ser cristão é combater a iniciativa e o liberalismo econômico e adotar o socialismo, na minha opinião isto é um equivoco. Porque o Cristianismo é muito mais radical que o socialismo, o socialismo é fichinha perto do Cristianismo. Devemos deixar de lado a idéia que existe um tipo de teoria política que é cristã ou mais cristã do que outras, acho que Hélder Câmara deu o exemplo quando ele falou assim, `eu sou cristão, e isso basta!`”

O texto foi disponibilizado publicamente pelo autor. Leia aqui

Prof. Dr. João Cesário Leonel apresentou as reações a fala de Ricardo Gouvêa

Pessoas de diversas cidades da região estiveram presentes na reuni

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Livro de Ricardo Gondim é debatido em encontro da FTL núcleo São Paulo

Auditório no Seminário Servo de Cristo recebeu o encontro

Ricardo Gondim, que em 2009 defendeu sua dissertação de mestrado na Universidade Metodista de São Paulo, se transformou em livro, com o título: Missão Integral: em busca de uma identidade evangélica. O livro foi apresentado e debatido em um encontro da FTL – Fraternidade Teológica LatinoAmericana no núcleo São Paulo, o debate de idéias ocorreu no dia 07 de abril no auditório do seminário Servo de Cristo na vila Marina, centro da cidade de São Paulo.

Gondim explanou sua obra para os presentes, e participaram da mesa para as reações ao livro, Ed René Kivitz e Ziel Machado, ambos membros da FTL e participantes do núcleo São Paulo.

O teor do debate foi resumido em uma reportagem no site da FTL que escreveu que: A partir dos pressupostos do livro de Gondim, três importantes temas foram discutidos. Primeiro, se a Teologia da Missão Integral está limitada à América Latina tão somente. Ziel lembrou que hoje a Missão Integral já está presente no continente africano e sul da Ásia, além da América Latina. Depois, debruçou-se sobre a questão do quanto essa Teologia alcança o chamado simples evangélico, das igrejas em geral. Neste aspecto há sinais de avanço, mas a percepção de que há um caminho maior a ser percorrido. Os obstáculos para maiores avanços provavelmente se devem à hipótese seguinte do trabalho de Gondim. Por terceiro, os painelistas debruçaram-se sobre a hipótese de que a Teologia da Missão Integral da Igreja não conseguiu romper com suas raízes teológicas fundamentalistas. A força do milenarismo na teologia fundamentalista foi apontada como grande barreira para uma teologia que desemboque em transformação histórica. Fato este também enfatizado por Ed René.

Fotos: Alex Fajardo

Ricardo Gondim faz a leitura de um trecho de sua obra

Ed René Kivitz foi a primeiro a reagir a fala de Ricardo Gondim

Historiador Ziel Machado contrapôs a fala de Gondim analisando capítulos separados do livro

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René Padilha participa do encontro da FTL em São Paulo

Na manhã de 27 de maio, o Seminário Servo de Cristo, no bairro de vila Mariana em São Paulo,  abriu suas portas para receber mais um encontro da FTL – (Fraternidade Teológica Latino Americana). O Encontro foi singular, pois estava presente um dos fundadores da FTL, o teólogo René Padilha.

René Padilha, nasceu no Equador, mora em Buenos Aires, é PhD em Novo Testamento pela Universidade de Manchester no Reino Unido. Cerca de 200 pessoas estiveram no encontro onde Padilha palestrou sobre o tema: Missão Integral: de volta as origens. Após sua fala, Ed René Kivitz, também teólogo, apresentou uma reação apontando conceitos e fundamentos sobre a teologia da Missão Integral. A Organização do encontro foi da secretária executiva da FTL-Brasil em parceria com a FTL núcleo São Paulo. (fotos: Alex Fajardo)

René Padilha - Encontro FTL no Seminário Servo de Cristo

Plenária lotada - Acadêmicos de diversas áreas participaram do encontro

Wilson Costa, secretário nacional da FTL apresenta Ed René Kivitz

Encontrou durou mais de duas horas: Público atento

René Padilha realiza anotações de conceitos e fundamentos sobre a teologia da Missão Integral apresentados por Ed René Kivitz

Ao final do encontro os coordenadores do núcleo São Paulo da FTL (Fabricio Cunha e Robinson de Souza) realizam sorteio de brindes para os cerca de 200 participantes do encontro

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Rede Miquéias – René Padilha

Na noite de 26 de março, mais de 100 pessoas estiveram presentes no mini-auditório na Igreja Batista de Água Branca para encontro da Rede Miquéias que trabalha em formato de rede, com cerca de 330 agências evangélicas em todo o mundo promovendo desenvolvimento e justiça através de apoio mútuo combatendo a necessidade do oprimido através da Missão Integral, encorajando a Igreja a sua responsabilidade, atribuída por Deus, em demonstrar o seu amor aos pobres.

René Padilha, um dos fundadores da Fraternidade Teologica Latinoamericana na década de 60,  esteve palestrando no encontro onde explanou sua história de caminhada na chamada Missão Integral e seus reflexos na América Latina.

Presente ao encontro esteve o prof. Dr. Jung Mo Sung, católico, pensador da Teologia da Libertação, Jung realizou uma reação a fala de Padilha.

René Padilha na Igreja Batista de Água Branca

Plenária atenta aos dizeres de René Padilha: Missão Integral

Prof. Dr. Jung Mo Sung realizou reação a fala de Padilha

Mini-consulta da FTL – Participe!

Próximo sábado - dia 27 de março - René Padilha em SP

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Fraternidade Teológica – Núcleo São Paulo

Prof. Ricardo Quadros Gouvêa esteve compartilhando com os presentes suas reflexões acerca das bases teológicas da Missão Integral

Aconteceu nesta quarta-feira pela manhã, dia 03 de fevereiro no Seminário Teológico Servo de Cristo, um encontro da Fraternidade Teológica Latino Americano – Núcleo São Paulo. Na ocasião os presentes ouviram o professor Dr. Ricardo Quadros Gouvêa e suas reflexões acerca da teologia da Missão Integral no Brasil. Após sua palestra/aula de cerca de 40 minutos, houve um café e em seguida perguntas foram feitas pelos presentes ao palestrante no sentido de enriquecer o encontro e reverberar idéias sobre o tema e seus caminhos no Brasil.

O texto foi disponibilizado publicamente pelo autor. Leia aqui

Quem quiser conhecer melhor a Fraternidade Teológica e seu núcleo na capital paulista, clique aqui e veja a sua retomada.

 

Encontro foi realizado nas dependências do Seminário Teológico Servo de Cristo no bairro da Vila Mariana em São Paulo

Missão Integral – Lançamento de Ricardo Gondim

Ricardo Gondim lança em livro sua dissertação de mestrado: Missão Integral em busca de uma identidade evangélica

No dia 27 de novembro do calendário de 2009, aconteceu o lançamento do livro “Missão Integral – em busca de uma identidade evangélica” (editora Fonte Editorial). A obra segundo me informou seu autor, Ricardo Gondim, é 100% o conteúdo de sua dissertação de mestrado, sem acrescentar ou diminuir um til. O lançamento ocorreu na livraria Saraiva do Morumbi Shopping (mesmo local em que Caio Fabio lançou seu livro Sem Barganhas em dezembro de 2005).

A Obra de Gondim apresenta um processo histórico da chamada Missão Integral, e suas conseqüências para os dias atuais, sua caminhada desde antes do Pacto de Lausanne em 1974, passando pelos teólogos latino-americanos e seus principais nomes da difusão da teologia “pé no chão”. Gondim que participou desta caminhada nas últimas décadas apresenta seu olhar sobre o tema. A Grande tensão do Congresso Mundial de Evangelização de Lausanne (que teve como redator do pacto John Stott) era manejar uma faca de dois gumes, no caso evangelização e ação social. Qual teria que ser a primazia? Para quem quer conhecer a história deste movimento, vale a pena ler o livro. O movimento houve um esvaziamento segundo o autor no início da década de 80. Saiba os motivos que geraram e os debates teológicos e sociais em volta do tema.

O leitor entenderá os motivos porque René Padilha, um dos expoentes do movimento da Missão Integral na América Latina optou por não comparecer ao II Congresso de Evangelização realizado em 1989 em Manila nas Filipinas. Entenderá que as organizações Billy Graham que convocaram e organizaram o Congresso de Lausanne em 1974, que segundo a revista Time foi possivelmente a reunião mais global realizada pelos cristãos por sua amplitude e números e alcance, foram 2.473 “participantes”, cerca de mil observadores de 150 países e 135 denominações protestantes, que foi um Congresso que marcou uma geração, entretanto Gondim denuncia que seu organizador em sua autobiografia publicada originalmente nos Estados unidos em 1997, Billy Graham não cita nem uma vez sequer o Congresso de Lausanne, enquanto gastou vinte e quatro páginas para descrever seu relacionamento com Richard Nixon e seus cafés da manhã na Casa Branca.

No livro o leitor encontrará histórias e opiniões de diversos nomes envolvidos com a Missão Integral na América Latina como René Padilha, Samuel Escobar, Orlando Costas entre outros e ativistas do movimento em solo brasileiro, principalmente nomes da primeira geração pós Lausanne 1974, como Valdir Steuernagel, Robinson Cavalcante, Caio Fabio, Darci Dusileck, Luiz Longuini Neto, Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz, Ziel Machado entre outros.

Além de saber sobre os CLADES – (Congressos Latino-Americanos de Evangelização) e os CBEs (Congressos Brasileiros de Evangelização) CBE I e II, 1983 e 2003 e a FTL (Fraternidade Teológica Latino Americana) e suas importâncias para o movimento na América Latina e as diversas organizações paraeclesiásticas que se engajaram e se comprometeram com a causa de Cristo através da Missão Integral.

Para mim que estou tentando me aprofundar no tema, foi uma sensacional aula de história e opiniões diversas para entender sobre o movimento, aliás, falando em aprofundamento, aguardemos a tese de doutorado de Gondim que promete continuar tratando mais afundo com o tema.

O Livro é dividido em 3 capítulos com diversos sub-temas; Capítulo 1 – Missão Integral e Identidade Evangélica; Capítulo 2 – A Missão Integral, Expectativa e Frustração e por fim o Capítulo 3 – Missão Integral: A difícil tarefa de Equilibrar Evangelização e Responsabilidade Social. A Obra tem 185 páginas e vale a pena ser lida na íntegra, inclusive as mais de 100 notas de rodapé.

Além do lançamento do livro no Morumbi Shopping, Gondim participou de uma manhã de autógrafos de seus livros na rua Conde de Sarzedas no dia 04 de dezembro na livraria Lírio dos Vales onde foi realizada a última foto deste post.

Para finalizar esta matéria, vale ressaltar que o prefácio do livro é escrito pelo orientador de Gondim, o católico Jung Mo Sung, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.

Livraria Saraiva do Morumbi Shopping foi palco do lançamento da obra

Gondim realiza manhã de autografo na rua Conde de Sarzedas em 4 de dezembro

Fotos e texto: Alex Fajardo

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